Spotify: o que explica a ausência de mulheres no Top 5 após oito anos?

Spotify: o que explica a ausência de mulheres no Top 5 após oito anos?

“Ser mulher no mercado musical é lutar constantemente”, opina Dani Ribas, coordenadora da Associação Brasileira de e Artes (Abramus), quando questionada sobre a ausência de no de artistas mais ouvidos do Wrapped, retrospectiva anual feita pela plataforma de música que apresenta os hábitos de consumo de ouvintes no Brasil e no mundo.

Esta é a primeira vez em oito anos, desde 2016, que nenhuma mulher elenca o ranking de cinco artistas mais ouvidos no Brasil durante o ano. Isso inclui as cantoras sertanejas, que dominam o rol desde 2017 e tomam para si um espaço antes majoritariamente masculino, com destaque para Marília Mendonça e Ana Castela.

Leia também

  • Música

    Retrospectiva Spotify: os artistas e as músicas mais ouvidas em 2025
  • Música

    Spotify Wrapped: os artistas mais ouvidos do ano são os mais ricos?
  • Pedro Bial divulga ranking do Spotify e 3º lugar surpreende
  • Vida & Estilo

    Spotify Wrapped: pais e mães compartilham frustração com retrospectiva

O Top 10 de 2025

  1. Henrique & Juliano
  2. Grupo Menos é Mais
  3. MC Ryan SP
  4. Jorge & Mateus
  5. MC IG
  6. Zé Neto & Cristiano
  7. Matheus & Kauan
  8. MC Tuto
  9. Natanzinho Lima
  10. Filipe Ret

Como base de comparação, Marília Mendonça elencou o primeiro lugar da lista por dois anos consecutivos. Ana Castela, por sua vez, desbancou Henrique & Juliano, MC Ryan SP e Jorge & Mateus no rol de 2023.

Há uma clara predominância masculina. Se nos outros anos a gente viu mulheres no Top 10, neste ano o Top 10 foi dominado por homens. Ana Castela ficou em 11º lugar, Simone Mendes em 12º lugar e Marília Mendonça em 13º lugar.

Carolina Alzuguir, head de música do Spotify

Veja o Top 5 dos últimos 11 anos:

10 imagensSpotify: o que explica a ausência de mulheres no Top 5 após oito anos? - imagem 2Spotify: o que explica a ausência de mulheres no Top 5 após oito anos? - imagem 3Spotify: o que explica a ausência de mulheres no Top 5 após oito anos? - imagem 4Spotify: o que explica a ausência de mulheres no Top 5 após oito anos? - imagem 5Spotify: o que explica a ausência de mulheres no Top 5 após oito anos? - imagem 6Fechar modal.MetrópolesSpotify: o que explica a ausência de mulheres no Top 5 após oito anos? - imagem 11 de 10

/ MetrópolesSpotify: o que explica a ausência de mulheres no Top 5 após oito anos? - imagem 22 de 10

Arte/ MetrópolesSpotify: o que explica a ausência de mulheres no Top 5 após oito anos? - imagem 33 de 10

Arte/ MetrópolesSpotify: o que explica a ausência de mulheres no Top 5 após oito anos? - imagem 44 de 10

Spotify: o que explica a ausência de mulheres no Top 5 após oito anos? - imagem 55 de 10

Arte/ MetrópolesSpotify: o que explica a ausência de mulheres no Top 5 após oito anos? - imagem 66 de 10

Arte/ MetrópolesSpotify: o que explica a ausência de mulheres no Top 5 após oito anos? - imagem 77 de 10

Arte/ MetrópolesSpotify: o que explica a ausência de mulheres no Top 5 após oito anos? - imagem 88 de 10

Arte/ MetrópolesSpotify: o que explica a ausência de mulheres no Top 5 após oito anos? - imagem 99 de 10

Arte/ MetrópolesSpotify: o que explica a ausência de mulheres no Top 5 após oito anos? - imagem 1010 de 10

Arte/ Metrópoles

Mas afinal, por que as mulheres estão de fora?

Para especialistas no mundo da música, a ausência de mulheres na listagem deste ano se dá por uma de fatores, incluindo questões históricas de uma sociedade machista que ainda minimiza o trabalho feminino.

“Os dados do IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística] de 2022 mostram que mulheres dedicam 10 horas a mais de cuidados domésticos com pessoas e casa do que os homens. Isso já retira as mulheres do em termos de possibilidade. Historicamente, isso sempre foi uma barreira de entrada no mercado de trabalho. Na música não é diferente”, afirma Dani Ribas.

Especialista em tendências da musical, Ribas explica que a recomendação do algoritmo de plataformas também pode influenciar na listagem final.

“Os algoritmos coletam dados para entender o gosto musical de cada ouvinte. Os algoritmos recomendam sempre o catálogo mais popular dentro do seu padrão de gosto. Se aquilo que tem disponível nas plataformas — a gente sabe que há um conteúdo maior masculino justamente porque, historicamente, as mulheres nunca tiveram nessa posição de predominância —, estatisticamente o que vai ser recomendado como mais popular são músicas compostas por homens”, explica.

“Mesmo com mulheres muito populares, como Marília Mendonça, a tendência natural é que ela seja cada vez mais empurrada para baixo nesse ranking devido aos vieses algorítmicos das plataformas”, completa.

“Além de todos os fatores culturais e sociais em que a mulher é colocada, a questão financeira de autonomia enquanto artista, enquanto compositora, a ausência de autonomia, também impacta na sua aparição, na sua forma de se comunicar no seu trabalho”, finaliza Fernanda Audi, diretora de operações da Abramus.

Marília Mendonça - mulher branca e de cabelos lisos loiros veste blusa de mangas longas preta e segura coroa na cabeça

O mundo para além do e do funk

A produtora musical Maboh, por sua vez, indica que o mercado do sertanejo, quando pensado no âmbito feminino, pode estar sentindo os impactos do falecimento de Marília Mendonça. A eterna “rainha da sofrência” morreu em 5 de novembro de 2021, aos 26 anos.

“A Marília Mendonça era a maior compositora do sertanejo feminino. Ela compunha não só para ela, mas também para outras artistas, e a falta que a produção de obra dela faz pode ser um desses fatores que está fazendo o nome das mulheres do sertanejo desaparecer da lista”, alega.

Ela ainda lembra que, para além do sertanejo e do funk, a indústria musical vem valorizando mulheres de outros gêneros. É o caso de Liniker, por exemplo, vencedora de três prêmios do Grammy Latino deste ano.

Liniker: universo estético, afetivo e sonoro do álbum “Caju” chega a Brasília

“A lista está muito centrada no sertanejo e no funk. E são dois gêneros em que, acho que não coincidentemente, tem muitas letras que degradam a figura feminina. A gente está num ano em que Liniker e Luedji Luna acabaram de ganhar Grammys Latinos, que também são prêmios da indústria. No ano passado a gente teve Iza no Grammy Latino. Esses nomes que estão em alta na indústria não figurarem na lista. É bastante chocante”, finaliza.

Foto de Redação

Redação

Assessoria de comunicação da agência SLZ7. Uma empresa de desenvolvimento e marketing digital que oferece soluções estratégias e fortalecimento de marcas aumentando a presença online

Foto de Redação

Redação

Assessoria de comunicação da SLZ7

publicidade

Veja mais

publicidade

error: Content is protected !!