A Ucrânia não trairá os sacrifícios feitos por seu povo em quatro anos de guerra apenas para fazer as pazes com a Rússia, prometeu o presidente Volodymyr Zelensky nesta terça-feira (24), enquanto as divisões entre seus principais aliados ofuscaram os eventos sobre o início do conflito.
As nações europeias esperavam chegar a um acordo sobre um novo pacote de sanções contra a Rússia, bem como um empréstimo de 90 bilhões de euros para a Ucrânia, mas a Hungria, que mantém laços estreitos com Moscou, manteve seu veto a ambos na segunda-feira (23).
A Hungria e a vizinha Eslováquia acusam Kiev de bloquear deliberadamente o fornecimento de petróleo russo por meio do oleoduto Druzhba, que a Ucrânia afirma estar tentando reparar após um ataque russo no mês passado.
Convidados europeus, mas não líderes, são esperados em cerimônias em Kiev
Zelensky deveria receber dignitários da Europa Ocidental, incluindo a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em Kiev, para cerimônias que marcariam o aniversário da invasão russa em grande escala, em 24 de fevereiro de 2022. Mas, ao contrário de anos anteriores, nenhum líder ocidental importante era esperado.
“Putin não alcançou seus objetivos. Ele não quebrou o povo ucraniano. Ele não venceu esta guerra”, disse Zelensky em um discurso matinal, estendendo um convite ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para visitar Kiev:
“Somente visitando a Ucrânia e vendo nossas vidas e lutas com seus próprios olhos… você poderá entender o verdadeiro significado desta guerra.”
Centenas de milhares de soldados de ambos os lados morreram ou ficaram feridos no conflito mais sangrento da Europa desde a Segunda Guerra Mundial. As forças russas também mataram dezenas de milhares de civis ucranianos e destruíram cidades ucranianas com anos de ataques de mísseis e drones.
As negociações de paz em curso com a Rússia, mediadas pelos Estados Unidos, parecem ter estagnado devido à questão territorial.
Moscou, que avança dolorosamente devagar no campo de batalha, insiste que a Ucrânia deve ceder os 20% restantes da região leste de Donetsk – enquanto Kiev se mantém irredutível quanto à sua recusa em abrir mão de terras que milhares de pessoas morreram para defender.
“Queremos paz: uma paz forte, digna e duradoura”, disse Zelensky, acrescentando que havia dito aos negociadores da paz: “Não anulem todos esses anos, não desvalorizem toda a luta, a coragem, a dignidade, tudo o que a Ucrânia passou. Não podemos, não devemos, entregar tudo isso, esquecer tudo isso, trair tudo isso.”
O presidente francês, Emmanuel Macron, disse em uma publicação na rede social X que a Rússia pagou um preço alto por pequenas conquistas territoriais na Ucrânia: “Um dia, os russos compreenderão a enormidade do crime cometido em seu nome.”
O presidente polonês, Karol Nawrocki, também no X, disse que a agressão da Rússia contra a Ucrânia representa uma séria ameaça à segurança da Europa: “Encaramos com respeito a coragem das pessoas que defendem a liberdade todos os dias.”




