Depois de ter se tornado um ícone do PC music e do hyperpop, Charli XCX solidificou sua presença no cenário do entretenimento como uma powerhouse musical e uma experimentalista por natureza – razão pela qual conquistou três estatuetas do Grammy Awards no ano passado pelo aclamado disco ‘BRAT’, que inclusive se transformou em um movimento cultural ao redor do mundo.
Três anos mais tarde, a cantora e compositora britânica anunciou seu próximo projeto – ‘Wuthering Heights’, inspirado no remake de ‘O Morro dos Ventos Uivantes‘ dirigido por Emerald Fennell e estrelado por Margot Robbie e Jacob Elordi.
Baseado no romance clássico de Emily Brontë, o longa acompanha o Sr. Earnshaw, que encontra um órfão nas ruas e decide adotá-lo, levando-o para o sombriamente isolado Morro dos Ventos Uivantes, onde vive com sua família. O órfão recebe o nome de Heathcliff, e enquanto ele é bem recebido por Catherine, a filha do senhor Earnshaw, seu irmão mais velho, Hindley, sente ciúmes e desprezo, e faz de tudo para humilhá-lo.
À medida que crescem, nasce uma paixão avassaladora entre Catherine e Heathcliff, o que só alimenta o ódio de Hindley. Após a morte do pai, a família entra em uma profunda crise financeira, e Catherine sente-se pressionada a se casar com Edgar Linton, um homem rico, para manter sua posição social. Heathcliff não aceita o casamento e, devido ao seu amor obsessivo, decide partir com a intenção de voltar para se vingar de todos.
Explicando o motivo que a fez querer se envolver com o longa, Charli disse em entrevista ao Substack: “liguei para Emerald e perguntei a ela o que ela esperava da minha leitura do roteiro. Ela timidamente sugeriu: ‘uma música?’. E eu sugeri: ‘um álbum?’. Por que não? Eu queria mergulhar na persona, em um mundo que parecia inegavelmente cru, selvagem, sexual, gótico, britânico, atormentado e cheio de frases reais, pontuação e gramática. Sem um cigarro ou um par de óculos escuros à vista, era tudo completamente diferente da vida que eu estava vivendo. Eu estava totalmente imersa”.
Para celebrar o lançamento de ‘Wuthering Heights’ preparamos uma breve lista elencando as cinco melhores músicas do álbum.
Veja abaixo as nossas escolhas e conte para nós qual a sua favorita:
5. “WALL OF SOUND”
Lançada como segundo single oficial do álbum, “Wall of Sound” se vale de um arranjo urgente de cordas e de sintetizadores que se aglutinam em caráter derradeiro, melancólico e fabulesco. Responsável pelos repetitivos versos – que, de certa maneira, refletem a complexa relação entre Catherine e Heathcliff – ao lado de Finn Keane, a artista singra pelas pulsões da psique humana e das turbulências de um amor proibido, traduzindo a temática em uma experiência sensorial prática e que entrega o que promete.
4. “SEEING THINGS”
Um dos aspectos que mais nos chama a atenção no disco é a forma como as canções são uniformizadas nos vários estilos de que se dispõe, mas borram as conhecidas divisões de uma peça sonora em expressivas distinções que vão desde a lírica até a produção. Em “Seeing Things”, os violoncelos e violinos respaldam uma ambientação que une a elegância orquestral às distorções vocais que transmuta o sentimento em uma experiência universalizante, pautada numa melancólica esperança que é pincelada pelas várias camadas de vozes.
3. “ALTARS”
Unindo forças a nomes como Lewis Pesavoc e Justin Raisen, Charli sabe exatamente como orquestrar cada uma das pequenas gemas, forjando peças que, à medida que se complementam em capacidade técnica, se afastam pela temática e por um movimento de introspecção e expansão que traz dinamismo ao álbum – e essa ideia é concretizada principalmente com “Altars”, uma das faixas mais bem escritas do projeto, em que o amor ultrarromântico se destitui das próprias máscaras e cede a uma dura realidade (talvez tarde demais).
2. “MY REMINDER”
Como já pudemos perceber, a cantora e compositora transforma seu compilado de originais em uma exploração constante dos altos e vales do amor, acompanhando de perto a conhecida narrativa de Brontë. Nesse quesito, Charli mergulha sem pensar duas vezes em um terreno agridoce que reflete uma experiência universal “My Reminder”. A track se ergue em um nostálgico electro-rock que se apodera, em breves três minutos meios, de uma apoteose fonográfica que coloca a abstração intocável do amor em uma verdade pungente, mas fundamental.
1. “CHAINS OF LOVE”
“Chains of Love” não é apenas a melhor faixa de ‘Wuthering Heights’, como é uma das melhores entradas da carreira de Charli. Funcionando como o lead single oficial do compilado de originais, a faixa se mantém fiel à estrutura que a performer tinha nos apresentado com “House”, porém, nos infundindo em uma atmosfera mais palpável e “mercadológica”, por assim dizer.
É impossível colocar um rótulo de mainstream à faixa, mas é notável como Charli e seu colaborador de longa data, Finn Keane, procuram um retrato dialógico que usa e abusa do chamber-pop e de uma fantasmagórica distorção eletrônica para falar sobre as mazelas de um amor controverso que a torna prisioneira de um sentimento, a princípio, puro e imaculado. Dessa forma, a música se transforma em uma impecável e antêmica balada pop que se esquiva das fórmulas sem abandoná-las por completo – abraçando o que é necessário para nos envolver por menos de três minutos em uma declamação profunda e tocante.
Fonte: CINEPOP




