Quando invadiu a Ucrânia, há exatos quatro anos, o presidente russo, Vladimir Putin, achava que tudo iria acabar em três dias. No entanto, o conflito já dura mais do que a Segunda Guerra Mundial durou para a União Soviética, o império perdido dos sonhos de Putin.
A guerra atual expressa a convicção de Putin de que o poder dos países só existe mesmo em função do tamanho da economia, tamanho do território que conquista e ocupa, e tamanho da capacidade militar.
As mesmas coisas nas quais acredita o presidente americano, Donald Trump. Mesmo com a ajuda do republicano, o líder russo não conseguiu, pela via militar, chegar aos seus objetivos políticos.
Hoje, aposta no cansaço da Ucrânia, e a Ucrânia aposta no cansaço da Rússia. Algo que nada tem de novo na história de conflitos militares, embora a guerra na Ucrânia antecipe campos de batalha do futuro.
O conflito começou de forma convencional e logo se transformou em uma corrida de adaptação e mudanças táticas relevantes em função de inovações tecnológicas, principalmente drones, mas confirma também as velhas lições.
O que mantém a aliança de países que ajudam a Ucrânia não é apenas o medo da agressão russa, é também a ideia de que princípios estão em jogo, tais como o respeito ao território dos outros, o repúdio às agressões militares, além de valores, como liberdade e democracia.
Embora se considere um realista, frio e calculista, Putin mergulhou em uma situação que dá razão aos que foram mais realistas do que ele.
A Rússia está perdendo, pois não conseguiu ganhar, e a Ucrânia está ganhando, pois não perdeu.




