Em 2025 a Vulcabras foi mão aberta. Desembolsou R$ 242 milhões em investimentos, 20% a mais que no ano anterior. A maior parte desses recursos foi empregada em compra de máquinas e aceleração de contratações para expandir produção. Uma decisão consciente, segundo o CEO Pedro Bartelle, dada a demanda acima do esperado pelos produtos da companhia. Não à toa, a Vulcabras atingiu um faturamento bruto recorde no ano, de R$ 4,2 bilhões, e teve seu 22º trimestre consecutivo de crescimento de receita. As margens, por outro lado, ficaram comprimidas por algum tempo, voltando ao patamar de um ano antes no quarto trimestre.
“Agora estamos prontos para realmente rentabilizar todos esses investimentos que fizemos”, afirmou Bartelle à EXAME. Em janeiro chegaram os últimos equipamentos adquiridos nesse último ciclo de expansão, que, segundo o executivo, é capaz de sustentar o o crescimento do negócio pelos próximos dois anos. Agora, explica, é voltar o capex à modernização, para garantir “uma evolução tecnológica constante”.
Apesar de investir em crescimento, a Vulcabras não deixou de remunerar seus acionistas. Distribuiu um total de R$ 1,54 bilhão em proventos, sendo que R$ 563 milhões retornaram ao caixa da companhia. Isso ocorreu porque a Vulcabras fez uma subscrição privada, ou seja, vendeu novas ações a um grupo fechado de acionistas que usaram os dividendos que receberam para pagar pelos papéis.
“Poderíamos ter distribuído, em termos de caixa, o total de R$ 1,5 bilhão. Mas, para regular e manter a alavancagem financeira em patamares ainda saudáveis, a gente chamou essa subscrição privada e aumentamos o estoque de capital social”, explicou Wagner Dantas, CFO da Vulcabras. A companhia acelerou a distribuição de proventos para escapar da tributação imposta pela reforma tributária a partir deste ano. Para 2026, segundo Dantas, a agenda será “menos ativa em distribuições”, pois a prioridade será liquidar dívidas de curto prazo.
Para conciliar investimento e dividendos, a Vulcabras tomou uma dívida de R$ 500 milhões no ano passado, com custo de CDI mais 0,6% e prazo de cinco anos. A alavancagem da companhia ficou em 0,9 vez, na relação dívida líquida e Ebitda. O objetivo da companhia é terminar 2026 com dívida líquida próxima de zero, sem deixar de converter geração de caixa em investimento em inovação. E a Vulcabras não descarta trazer novas marcas para o portfólio este ano.
“Nós vamos sustentar nosso crescimento através do capital de giro e se surgir mais marcas, algo que estamos sempre analisando, conseguimos fazer [uma aquisição] com a nossa geração de caixa. Foi assim que compramos as operações tanto da Under Armour quanto da Mizuno”, diz Bartelle.
A divisão de calçados esportivos apresentou crescimento de 17,4% no acumulado do ano. De acordo com a companhia, a qualificação do mix foi um dos vetores de expansão da receita, com mais produtos voltados à alta performance que impulsionam o aumento do ticket médio. O mais novo lançamento da Vulcabras é o Olympikus Corre Pace, um “produto estrela”, como classifica o CEO Para este ano, Bartelle promete “uma expansão importante” no portfólio de corrida, com lançamentos nas três marcas da companhia.
“A gente entrou o ano de 2026 com o primeiro semestre muito bem desenhado. Os clientes fizeram os pedidos com antecedência porque não querem ficar sem os nossos produtos. Estamos vivendo um bom momento de demanda, principalmente na linha Corre, diz Bartelle.
“Isso, mesmo atacado pela concorrência, fazendo dumping, com produtos que é impossível de vender nos preços que estão vendendo. Mas a gente pegou uma fatia de mercado importante deles e eles querem de volta.”
O balanço da Vulcabras
O lucro recorrente da Vulcabras somou R$ 158,8 milhões no quarto trimestre de 2025, uma queda anual de 6,1% na comparação anual. A margem líquida ficou em 15,7%. No acumulado do ano, o lucro de R$ 572,9 milhões foi 5,3% maior que o registrado em 2024.
O Ebitda recorrente trimestral avançou 14,8% nos últimos três meses do ano passado, para R$ 220,7 milhões e o de 2025 cresceu 13%, para R$ 675,6 milhões.
A receita líquida da Vulcabras foi de R$ 1,01 bilhão no trimestre e de R$ 3,57 bilhões no ano, com crescimento de 11,4% e 16,8%, respectivamente.
Fonte: Exame




