Tina Romero constrói um apocalipse zumbi regado a glitter e sangue com ‘Queens of the Dead’

Tina Romero constrói um apocalipse zumbi regado a glitter e sangue com ‘Queens of the Dead’

Após comandar alguns curtas-metragens, Tina Romero, filha do lendário realizador George A. Romero, embarcou em sua primeira construção em longa forma com o antecipado ‘Queens of the Dead’, que finalmente chegou aos cinemas de todo o Brasil. O projeto independente, que mistura terror e , já vinha sido elogiado desde seu lançamento no circuito , alcançando expressivos 92% de aprovação no Rotten Tomatoes e dando continuidade a um legado familiar que reitera a importância cultural de celebrar o exagero e o camp na sétima .

A trama é centrada em Dre (Katy O’Brian), uma jovem empreendedora dona de um clube noturno que, voltando à cena após alguns percalços pessoais e profissionais, precisa de uma vitória e necessita que a noite seja um sucesso. Acompanhada das performers Ginsey (Nina West), Nico (Tomas Matos) e Jax (Samora la Perdida), além de amigos próximos que incluem Kelsey (Jack Haven), Jimmy (Cheyenne Jackson), Sam (Jaquel Spivey) e seu cunhado heterossexual chamado Barry (Quincy Dunn-Baker), Dre faz o possível e o impossível para trazer o nome de sua balada às glórias de um sonho ainda não alcançado. Todavia, o que ela não esperava é que uma epidemia zumbi tomaria conta das ruas de , transformando a cidade em um palco regado a cadáveres ambulantes e a muito, muito glamour e glitter.

Confinados em meio a uma pista de dança e a um bar recheado de coquetéis, o nosso grupo protagonista é forçado a encontrar uma maneira de escapar dali antes que seja tarde demais – e antes que eles também se transformem em mortos-vivos. À medida que aminimizades e conflitos passados vêm à tona e laços são estreitados, a corrida pela sobrevivência começa, forçando-os a subir no salto e a se preparem sem perder a “fabulosidade” para um conflito sangrento e faminto. Contando ainda com nomes como Riki Lindhome como Lizzy, esposa de Dre, e de Margaret Cho como a impetuosa e habilidosa Pops, noiva de Kelsey, a estreia de Romero no circuito de longas-metragens é uma propositalmente exagerada carta de amor não apenas aos filmes de terror, como à comunidade queer em toda sua completude.

A realizadora tem uma ideia muito clara em mente e faz isso a partir de um ínfimo orçamento que traz uma atmosfera mais burlesca e teatral à narrativa. Mergulhando no cenário da arte drag e brincando com coloridos contrastes de fotografia e de direção de arte, a cineasta reacende o efervescente escopo club que começou a dominar as ruas de Manhattan nos anos 1970 e que se transformou em poderoso movimento sociocultural de reafirmação e empoderamento. Não é à toa que, aliando-se ao departamento de figurino e maquiagem, ela tenha idealizado uma despojada jornada pela maximização, desde a aparência metálica e cintilante dos zumbis até as icônicas vestimentas à Leigh Bowery que Ginsey exibe.

Romero faz questão de pegar páginas emprestadas de clássicos do gênero, criando uma memorabília que inclui produções do próprio pai, como ‘A Noite dos Mortos-Vivos’ e ‘Creepshow’, apoiando-se no uso de efeitos práticos e saudosistas, e em títulos voltados para a comédia, como ‘Todo Mundo Quase Morto’. Mais do que isso, ela constrói um elo de reafirmação entre o terror e a comunidade LGBTQIA+, construindo um arauto de defesa dos “esquisitos” e da estética freak que, em desenvolvimento há mais de uma década, encontra sucesso por não se levar a sério em momento algum.

Estendendo-se por breves cem minutos, o longa conta com um formidável que se joga de cabeça em personalidades urgentes e que em momento algum deixam de nos entreter com um comprometimento genuíno. Para além do conhecido talento de West, Cho, Haven e O’Brian, o destaque vai para Spivey, recém-saído de uma indicação ao Tony pelo ovacionado ‘A Strange Loop’, faz um impecável e traz uma certa carga dramática que entra em contraste com a irruptiva atmosfera apocalíptica do longa; e para Dominique Jackson, uma lenda do cenário club, empresta sua memorável presença como a contraditória Yasmine. Cada um tem seu momento de brilhar, encontrando-se em uma bem-vinda química que explode em cena.

‘Queens of the Dead’ é uma inesperada celebração de um legado imortal, comandado por Tina Romero em um fabuloso e envolvente debute. Fazendo questão de entrega exatamente o que promete, a cineasta promove um encontro entre passado e presente ao construir um enredo que em momento algum nos deixa entediados – e que se beneficia do talento nato do elenco protagonista e coadjuvante.

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Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, e Beyoncé). Ele também é apaixonado por , e jogar conversa fora.

Fonte: CINEPOP

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