Inaugurada em fevereiro, a exposição Tracey Emin: A Second Life apresenta uma retrospectiva da carreira da artista britânica Tracey Emin, reunindo obras de diferentes momentos de sua trajetória, marcada por experimentações e criações irreverentes.
A mostra é sediada pelo Tate Modern em Londres, um dos mais importantes museus de arte moderna do mundo. Para visitá-la, é necessário adquirir ingresso antecipadamente pelo site oficial ao custo de £ 20 por pessoa. O espaço funciona de segunda a quinta-feira, das 10h às 16h30, e às sextas e sábados até às 21h.
A exposição, que se estende até 31 de agosto, oferece às novas gerações a oportunidade de explorar o universo multifacetado de Emin, que adquiriu proeminência com trabalhos divulgados originalmente nos anos 1980 e 1990. A curadoria é assinada por Maria Balshaw, diretora do museu, ao lado de Jess Baxter e Alvin Lee, em um processo colaborativo que contou com a participação da própria artista.
A Second Life seguirá uma turnê mundial, passando por países como Dinamarca, Coréia do Sul e Austrália. Saiba mais sobre a vida e obra da artista, além dos destaques da mostra:
Uma carreira autofictícia
Nascida em 1963, em Londres, Emin construiu ao longo de sua carreira um estilo marcado pelo uso de suas próprias experiências de vida como matéria-prima para suas obras.
Sua trajetória começou a ganhar contornos inesperados no final da década de 1980, quando passou a integrar o grupo conhecido como Young British Artists (YBAs), ao lado de nomes como Damien Hirst e Sarah Lucas. O coletivo tornou-se conhecido por suas táticas de choque e pelo uso de materiais inusitados na criação de obras que contestavam o espírito da época.
Emin consolidou criações íntimas e audaciosas, navegando sem filtros por suas memórias a fim de desbravar temas como desejo, amor, luto, ritos de passagem e a vulnerabilidade do corpo feminino. Para externalizar todas essas sensações, valeu-se de uma variedade impressionante de recursos, explorando de pinturas, fotografias, desenhos e esculturas, de escritas em neon a tapeçarias costuradas à mão.
Destaques da exposição
A Second Life reúne tanto trabalhos do início da carreira de Emin quanto criações mais recentes da artista, fortemente influenciadas por sua luta contra o câncer. Em 2020, ela se curou de um agressivo tumor de bexiga, o que exigiu uma série de cirurgias invasivas.
O grande destaque da exposição é sua obra mais famosa – responsável por virar o ambiente midiático de ponta-cabeça e transformá-la em uma celebridade mundial. My Bed (1998) foi criada no fértil período em que a artista esteve associada aos YBAs, e apresenta um conceito bastante simples: trata-se de uma escultura que reproduz a cama de uma mulher em um momento depressivo, após o término de um relacionamento.
Exposta, à época de seu lançamento, em algumas das mais célebres galerias de arte do mundo (incluindo a própria Tate Modern), a obra gerou bastante controvérsia. Sob os pés da cama desarrumada, espalham-se diversos objetos pessoais, como anticoncepcionais, peças íntimas femininas e uma garrafa de vodca vazia, entre outros itens vistos por parte da crítica como inapropriados para exibição em museus – ou, ainda, banais demais para serem reconhecidos como arte.
Entre outras criações que remontam aos anos 1990 estão o curta-metragem autobiográfico Why I Never Became a Dancer (1995) e a tapeçaria inteiramente costurada à mão Mad Tracey From Margate. Everyone’s Been There (1997).
A mostra também reúne esculturas de latão (liga composta de cobre e zinco), além de fotografias e desenhos de diferentes épocas.
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