Há um ano, a titânica Lady Gaga fazia um glorioso retorno ao cenário musical com o lançamento de seu sétimo álbum de estúdio – o antecipado ‘MAYHEM’. O disco marcou tanto o retorno da artista às suas raízes de 2008 e 2009, além de apresentar uma forte influência dos anos 1970 e 1980 para uma jornada que já está caindo no gosto da crítica e dos fãs.
Contando com catorze faixas, incluindo os singles “Die With a Smile”, “Disease” e “Abracadabra”, a produção é uma jornada pelo caos que rege a mente da cantora e compositora e traz homenagens a nomes como Michael Jackson, Prince e David Bowie, apoiando-se em narrativas que seguem uma clara progressão do começo ao fim. Não é surpresa que a obra tenha recebido aclame inquestionável pelos especialistas e pelo público, rendendo à artista três estatuetas do Grammy e incontáveis recordes quebrados.
Para celebrar o primeiro aniversário do disco, preparamos uma breve lista selecionando cinco canções que poderiam ter sido singles nesta imaculada e ovacionada era.
Confira abaixo as nossas escolhas:
“BLADE OF GRASS”
Já sabemos muito bem que Gaga tem um apreço significativo por baladas – e nunca erra a mão ao trazer sentimentalidade e emoção a faixas desse tipo. Seja com “Speechless”, “Shallow” ou “Always Remember Us This Way”, a performer sabe como cativar seus ouvintes – e isso não seria diferente com a irretocável e cândida “Blade of Grass”. Compondo a impecável trindade que encerra ‘MAYHEM’, a track traz alguns dos melhores vocais da artista à tona e conta com a sólida produção de Andrew Watt e Cirkut, convidando-nos a uma sinestésica jornada.
“PERFECT CELEBRITY”
Em seu último disco, Lady Gaga singra por inúmeros gêneros e, diferente do que imaginávamos, controla o caos emprestado ao título do compilado como se essa entidade intangível pudesse ser materializada, construindo uma clara narrativa que culmina em uma espécie de libertação criativa e estética. Isso é traduzido na impecável “Perfect Celebrity”, que traz Andrew Watt e Cirkut como produtores e mergulha em um delicioso pop–rock que nos arremessa de volta aos anos 2000 e pega uma veia mais dark que a própria Madonna explorara no final dos anos 1990 e no começo deste século
“SHADOW OF A MAN”
Em “Shadow of a Man”, Gaga ressuscitou Michael Jackson e encarnou os trejeitos e os maneirismos do saudoso rei do pop para uma explosiva faixa que incorpora elementos do dance e do disco – culminando em uma espetacular iteração que já tinha dado seus primeiros ares no fim do especial ‘Gaga Chromatica Ball’. Aqui, temos inclusive um throwback para o electro-pop que a cantora e compositora explorou em 2008 e em 2009, mas de uma maneira amadurecida e recheada de personalidade e teatralidade de uma maneira que apenas ela conseguiria alcançar.
“GARDEN OF EDEN”
“Garden of Eden”, que sucede o ótimo single “Abracadabra” no alinhamento de faixas do álbum, traz uma teatralidade conhecida aos nossos ouvidos, pegando elementos do pop-rock de The Veronicas e da famosa sonoridade de Prince, em especial do álbum ‘Purple Rain’, para contar uma sensual história de paixão que usa e abusa dos sintetizadores e de um electro-rock delicioso, cortesia das habilidosas mãos do produtor francês Gesaffelstein.
“VANISH INTO YOU”
O conceito de caos (mayhem, como apontado pelo título do disco) promovido por Gaga é diferente do que imaginávamos por colocá-la em controle de uma entidade intangível. Dessa maneira, a diferença estrutural das faixas faz todo o sentido – e “Vanish Into You”, dentro desse espectro, dá ares de uma balada melódica antes de se render às incursões dos anos 1970 e 1980, apostando em um envolvente baixo que traz funk e disco pincelando versos impecáveis como “uma vez em uma lua azul, eu me esqueço de você; e, uma vez na sua vida, você será meu”.
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.
Fonte: CINEPOP




