Revolta na baixada: Não vai passar!

Revolta na baixada: Não vai passar!

No Terminal do Cujupe, o primeiro final de semana do ano se encerrou não com clima de renovação e alegria, mas de insatisfação e revolta dos maranhenses e tantos outros que já enfrentam mais de 15 horas de fila de espera. Para alguns, a espera pelo ferry boat começou a partir do meio-dia, ainda de barriga vazia e enfrentando a sensação térmica de quase quarenta graus.

No início da madrugada, a paciência dos viajantes se esgotou, devido ao cancelamento do embarque das horas da manhã e à superlotação das anteriores, ocupadas principalmente por vans intermunicipais. O atraso fez com que os motoristas organizassem novas filas independentes no pátio interno, em busca de agilizar e organizar o translado. Na ocasião, carros foram colocados na via que dava acesso à embarcação.

Terminal do Cujupe (Fotos: Yasmim Borges)

Cristiano Souza Diniz, caminhoneiro, traz produtos e alimentos não perecíveis, de Gurupi, para abastecer um supermercado de . Durante todo o período, saiu algumas vezes para tomar ar fresco, esticar as pernas ou fazer qualquer coisa que fizesse o tempo passar mais rápido.

“A situação não é de hoje, principalmente neste período de . Não é o certo, mas nós já estamos praticamente acostumados com a demora. É preciso ter uma boa gestão, aumentar a frota de embarcações. Se não for isso, não sei o que pode ser feito para termos um transporte digno”, desabafa.

Terminal do Cujupe (Fotos: Júlio C.)

Vindo de Belém do Pará, distante 16 horas da capital maranhense, Felipe Sauaia veio ao estado em busca de moradia. Com saída às cinco horas, chegou à fila do terminal no começo da tarde deste domingo e definiu a situação como desrespeitosa e desconfortável. “Se eu pudesse, seria a primeira e última vez que venho ao . É uma situação caótica. Aqui vemos crianças com fome, idosos e pessoas com deficiência passando por um teste de resistência, no qual tudo o que se pode ver são veículos enfileirados até onde a vista alcança. Na volta, irei pela estrada. Esta é uma situação ímpar que eu não quero ter novamente.”

Bruna Pereira, de 26 anos, é mãe de Kylian, de um ano e oito meses, e veio junto com a cunhada da cidade de Peri-Mirim, mas tiveram de seguir caminhos diferentes. Enquanto uma levava a criança, a outra ficava responsável pelo transporte do no terminal.

“Eu não tenho nem notícias dele, já que nem aqui, nem na estrada, temos um bom sinal de . A travessia com crianças é bem mais delicada. Com o meu filho, graças a Deus, não aconteceu nada, mas uma criança estava com febre e um rapaz passou mal. Eles foram ao posto de do Cujupe pedir ajuda, mas não havia ninguém. A sorte foi uma ambulância que saiu do ferry e os socorreu. Mas não era para a gente estar passando por essa situação”, explicou.

O primeiro ferry saiu somente às sete horas da manhã, porém uma grande quantidade de carros foi deixada para trás. Para alguns, foi um incidente atípico na rotina constante de idas e vindas dos municípios da . Para outros, as horas transcorridas na fila significaram fazer algumas escolhas a partir de então: deixar o veículo em casa e acomodar-se sem muito conforto nas vans de transporte ou driblar o cansaço e aventurar-se nas estradas em direção ao .

Fonte: O Imparcial

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