A proteção animal é um mosaico feito de pequenos gestos. Em uma cidade onde o abandono ainda é uma realidade latente, colocar um pequeno pet para adoção vai muito além de apenas entregá-lo a um novo dono; é um processo que envolve cuidado, estratégia e, acima de tudo, compromisso com a vida que foi resgatada.
O primeiro passo: O resgate e a saúde
Quando é encontrado um animal em situação de vulnerabilidade, o relógio corre. Para Adriana Sampaio Baima, protetora há 20 anos, a prioridade absoluta deve ser a saúde. Antes de qualquer anúncio de adoção, o animal precisa de um protocolo básico: vacinação, vermifugação e exames. Ela destaca que em cidades como São Luís, o acesso ao atendimento público é um direito garantido que deve ser exercido.
“Deve ser levado para o hospital municipal, que atende urgência e emergência 24h. Qualquer cidadão pode fazer isso. É um dever. Agora não tem mais como dizer que não tem dinheiro, porque o atendimento gratuito existe”, afirma Adriana.
A protetora alerta para um erro comum: juntar o resgatado com outros animais da casa sem um diagnóstico prévio. Doenças como a FIV e FeLV em gatos, por exemplo, podem ser transmitidas por saliva e arranhões, colocando em risco a saúde de todos.
O poder da imagem e da divulgação
Uma vez que o animal está saudável, o desafio é torná-lo “visível” em um mar de pedidos de ajuda. É aqui que entra a visão estratégica de Tainá, criadora do projeto Patinha Carente. Para ela, a divulgação é o “divisor de águas”.
“A foto é o diferencial fundamental. Tem um milhão de animais para doar, o que vai fazer o meu ser escolhido mais rápido? É a foto fofa, com luz boa, um fundo bonitinho e um enfeite. Faz uma diferença absurda”, explica Tainá.


Além da estética, a ocupação de espaços digitais é essencial. Tainá sugere o uso de plataformas de venda como o OLX e o engajamento direto nas redes sociais. Para quem não pode adotar ou abrigar, o engajamento (curtir, comentar e compartilhar) é uma forma valiosa de ajuda que todos podem oferecer.
Critérios de segurança
Muitas vezes, o protetor não tem espaço físico, e é aí que surge a figura do Lar Temporário (LT). Adriana explica que o LT é crucial, especialmente para o pós-operatório de castrações. É um local seguro que evita fugas e novos acidentes enquanto o animal espera por sua família definitiva.
Com o objetivo de identificar o melhor adotante possível, Tainá utiliza um formulário de adoção para filtrar os candidatos. Nesta importante listas de perguntas, a protetora levanta questionamentos sobre estrutura da moradia (telas em janelas, muros altos); condições financeiras para manter vacinas e ração de qualidade; histórico com outros animais e tempo disponível para o pet.
Adriana reforça que o perfil do adotante deve casar com o perfil do animal. “Um poodle precisa de banho e tosa a cada 15 dias. O adotante tem condições financeiras para isso?”, questiona. A adoção consciente evita que o pet sofra um novo abandono meses depois.
Como você pode ajudar hoje?
A realidade das ONGs e protetores independentes é de sobrecarga constante. Tainá ressalta que “todos têm a capacidade de ser um protetor… Não é preciso ter uma estrutura gigante; basta a disposição de mudar o destino de uma única vida.”.
Para além do resgate direto, existem diversas formas de contribuir com a causa animal, adaptando-se à realidade de cada um. A população pode atuar na linha de frente oferecendo um lar temporário, cedendo sua casa por alguns dias ou semanas até que o pet encontre uma família, ou ainda prestar apoio financeiro a ONGs sérias para custear tratamentos e castrações.
Mesmo quem não dispõe de recursos ou espaço pode ajudar através do engajamento digital, compartilhando fotos e informações de animais para adoção em suas redes sociais, o que aumenta drasticamente as chances de um final feliz.
“Para nós, pode ser só uma fase. Para eles, é a mudança completa do próprio destino”, finaliza Tainá.
A proteção animal é um ato de cidadania e empatia. Ao resgatar, cuidar e doar com responsabilidade, não estamos apenas tirando um animal da rua, mas transformando a sociedade em um cenário mais humano.
Fonte: O Imparcial




