Por que São Luís quase não viu chuva em janeiro? Especialista explica atraso e irregularidade no início do inverno

Por que São Luís quase não viu chuva em janeiro? Especialista explica atraso e irregularidade no início do inverno

A sensação de que “o não começou” em , mesmo já em pleno início do ano, tem explicação técnica e confirma o que moradores da capital e da Grande perceberam na prática: a chuva demorou a se firmar e, quando veio, apareceu de forma irregular e concentrada em poucos momentos.

Em janeiro de 2026, mês que costuma marcar o início mais consistente das chuvas no norte do , a precipitação ficou bem abaixo do esperado e com uma distribuição considerada uma das piores da última década.

Janeiro seco e com chuva concentrada em poucos dias

De acordo com o Laboratório de Meteorologia da Universidade Estadual do Maranhão (LABMET/), chefiado pelo meteorologista Gunter de Azevedo Reschke, além de chover menos do que o normal, choveu em poucos dias.

“Os registros apontam que na Grande Ilha a precipitação ocorreu apenas em datas — 18, 19 e 27 de janeiro — com volumes de 3 mm, 88,8 mm e 31 mm. No total, janeiro acumulou 119,8 mm, o equivalente a cerca de 51% do esperado para o período, cuja média climatológica é de 235,4 mm”, diz o LABMET.

O laboratório destaca ainda que o problema não foi apenas o volume acumulado, mas a má distribuição: em vez de chuvas frequentes ao longo do mês, houve isolados e concentrados. Segundo o LABMET/UEMA, esse cenário configura o menor total do mês e a pior distribuição temporal dos últimos 11 anos.

O que travou a chuva?

A principal explicação para a demora está na atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), sistema meteorológico fundamental para as chuvas no litoral do Maranhão. Em condições favoráveis, a ZCIT se posiciona mais ao sul, próxima à costa norte maranhense, aumentando a formação de nuvens carregadas e de chuvas mais frequentes.

Em janeiro, porém, essa configuração não se estabeleceu como esperado, reduzindo a formação de chuva na área que inclui São Luís e vizinhos.

O Atlântico ditou o ritmo

Outro fator decisivo foi o comportamento do Oceano Atlântico, especialmente a diferença de aquecimento entre o Atlântico Norte e o Atlântico Sul, fenômeno conhecido como “dipolo do Atlântico”.

Segundo o relatório técnico, a Temperatura da Superfície do Mar no Atlântico Sul estava menos quente que a do Atlântico Norte, o que dificultou o deslocamento da ZCIT para latitudes mais ao sul. Na prática, isso significa menos umidade chegando ao Maranhão e, consequentemente, menos chuva e maior irregularidade no litoral.

Vórtices pouco atuantes

O LABMET/UEMA também aponta pouca atuação de sistemas que podem favorecer chuvas no estado, como os Vórtices Ciclônicos de Altos Níveis (VCAN). Dependendo do posicionamento, esses sistemas podem estimular precipitações, mas, no mês analisado, contribuíram pouco para a formação de nuvens mais carregadas e de chuva contínua.

Calor e secura

A consequência não foi apenas a falta d’água no pluviômetro. A persistência de baixos volumes ao longo do mês contribuiu para temperaturas mais elevadas e aumento da evapotranspiração potencial, ou seja, mais perda de água do solo e da vegetação para a atmosfera. Isso intensifica o estresse hídrico e agrava efeitos como calor e ressecamento do ambiente.

Outro comportamento típico desse tipo de instabilidade é o padrão de pancadas localizadas: chove forte em um ponto da cidade e, em bairros próximos, quase não chove. O laboratório reforça que janeiro de 2026 não foi apenas um mês seco, mas marcado por alta irregularidade no e no espaço, com precipitação concentrada em poucos eventos.

Centro-norte mais seco e cenário misto no estado

No panorama estadual, janeiro pode ser classificado como normal a abaixo do normal, com predominância de condição abaixo do normal na faixa centro-norte do Maranhão e situação mais próxima da normalidade na porção centro-sul. Isso reforça que o comportamento da chuva variou conforme a área do estado.

Previsão indica chance de eventos de chuva

Para fevereiro, a previsão indica um cenário de contrastes: algumas áreas podem ter chuva abaixo da média, enquanto o sul do estado tende a registrar volumes acima da média. 

No norte, há maior probabilidade de chuvas acima da faixa normal, mas o LABMET destaca que a influência do Atlântico Tropical e a variabilidade típica do período ainda pesam.

O laboratório ressalta que fevereiro começa com chance real de eventos de chuva, mas ainda com características de pancadas e grande variação dentro da própria capital. Além disso, a previsão climática é probabilística: indica tendência do mês, mas não garante chuva regular todos os dias.

Fonte: O Imparcial

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