Um redemoinho no meio do Halloween
Quando outubro chega, é fácil ver abóboras, caveiras e bruxas por toda parte. Mas e se eu te contar que, no Brasil, essa mesma data é dominada por um personagem muito mais travesso e de uma perna só? Pois é: 31 de outubro também é o Dia do Saci.
Enquanto nos Estados Unidos a criançada sai pedindo “doces ou travessuras”, por aqui o símbolo é outro tipo de travessura: o Saci-Pererê. E a escolha da data não foi por acaso. Ela nasceu como um jeito de valorizar o folclore brasileiro, sem “cancelar” o Halloween, mas mostrando que nossas lendas também sabem dar um bom susto.
A ideia surgiu lá em 2003. O jornalista e geógrafo Mouzar Benedito e a Sociedade dos Observadores de Saci (ou simplesmente Sosaci) decidiram criar uma alternativa bem brasileira ao avanço das festas de Halloween no país. O primeiro município a embarcar na ideia foi São Luiz do Paraitinga (SP), que oficializou o Dia do Saci. Logo depois, o estado de São Paulo abraçou a causa e o projeto de lei federal nº 2.762/2003 foi apresentado, propondo o Dia Nacional do Saci-Pererê. A intenção era simples: celebrar o que é nosso.
O mito que virou símbolo
Mas afinal, quem é esse tal de Saci? Segundo pesquisadores, o mito surgiu entre povos guaranis no sul do Brasil, lá pelos séculos 18 e 19. Com o tempo, ele foi se misturando a influências africanas e europeias, até se transformar no personagem que a gente conhece hoje: um menino negro, de uma perna só, com um gorro vermelho e um sorriso travesso. Seu companheiro inseparável? O redemoinho de vento, que, dizem, é o jeito do Saci aparecer (ou desaparecer) quando quer aprontar alguma.
Monteiro Lobato e o “marketing” do Saci
Foi o escritor Monteiro Lobato quem deu o empurrão que faltava. Em 1917, ele publicou O Saci-Pererê: Resultado de um Inquérito, reunindo depoimentos e histórias populares sobre o personagem. Anos depois, o Saci ganhou vida de vez nas aventuras do Sítio do Picapau Amarelo e virou parte da infância de gerações inteiras. Desde então, ele deixou de ser só um mito e virou praticamente um símbolo nacional. E, convenhamos, é uma figura que representa bem o Brasil: esperto, irreverente e sempre pronto para desafiar o que vem de fora.
Hoje, estudiosos veem o Saci como mais do que uma simples lenda. Ele é uma espécie de alegoria da mistura cultural brasileira, o encontro de tradições indígenas, africanas e europeias que formaram o país. Celebrar o Dia do Saci é também um ato simbólico: um lembrete de que o Brasil tem seus próprios mitos, suas próprias travessuras e um imaginário riquíssimo que merece ser lembrado. Como dizem os defensores da data, não se trata de “substituir o Halloween”, mas de acender a fogueira da nossa própria cultura.
E se o Saci encontrasse o Drácula?
Imagina a cena: o Saci soprando o chapéu do Conde Drácula, a Cuca disputando o caldeirão com as bruxas e o Curupira deixando o Jason perdido na floresta. Essa mistura improvável é o retrato perfeito do Brasil: um país que absorve tudo, mas sempre dá seu jeitinho de transformar em algo único.
Então, neste 31 de outubro, seja você do “doces ou travessuras” ou do “vento que apaga o lampião”, uma coisa é certa: tem espaço para os dois.
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