A Procuradoria-Geral da República solicitou ao Supremo Tribunal Federal o arquivamento das investigações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro envolvendo o suposto desvio e tentativa de venda de joias recebidas durante seu mandato. No parecer enviado ao ministro relator Alexandre de Moraes, o procurador-geral Paulo Gonet argumentou que a atual legislação brasileira é imprecisa quanto à natureza desses bens. Segundo Gonet, a falta de clareza sobre se os presentes pertencem ao patrimônio da União ou ao acervo privado do chefe de Estado impede a caracterização de crimes como peculato ou lavagem de dinheiro.
O posicionamento da PGR aponta que a controvérsia jurídica sobre a titularidade dos itens recebidos em missões oficiais inviabiliza a aplicação do direito penal. O procurador-geral defende que, enquanto houver uma lacuna normativa sobre o destino de presentes oferecidos a presidentes, não há base legal sólida para responsabilizar criminalmente os envolvidos.
Embora reconheça o esforço investigativo da Polícia Federal, o parecer conclui que as condutas apontadas, como o envio de peças de luxo para o exterior, não podem ser enquadradas como crimes sob a ótica da legislação vigente.
A investigação havia ganhado força em julho de 2024, quando a Polícia Federal indiciou Bolsonaro e outras 11 pessoas, citando a retirada de relógios, esculturas e joias de alto valor do acervo presidencial para comercialização.
O caso teve grande repercussão após a apreensão de itens avaliados em R$ 5 milhões que entraram no país sem a devida declaração.
Apesar do pedido de arquivamento na esfera criminal, Gonet ressaltou que a decisão não anula possíveis punições em instâncias administrativas ou outras frentes de apuração fora do campo penal.
Fonte: O Imparcial




