Um estudo científico realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) revelou níveis alarmantes de poluição na Praia do Olho D’Água, em São Luís.
A pesquisa analisou a qualidade ambiental ao longo da faixa de praia e constatou que os índices de contaminação chegam a ser até 22 mil vezes superiores aos parâmetros considerados seguros para contato humano.
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Segundo o pesquisador Osmar Vasconcelos, o estudo avaliou três ambientes usados pelos banhistas: a água do mar, a areia da praia e a água intersticial, que fica abaixo da superfície da areia.
“O resultado mostrou que todos esses ambientes estão altamente contaminados. A água do mar apresentou índices um pouco maiores, mas a areia e a água intersticial também têm níveis muito elevados de micro-organismos”, explicou.
As amostras foram coletadas durante seis meses, em períodos de estiagem e de chuvas. Em todos os pontos analisados, as concentrações de micro-organismos ultrapassaram os limites estabelecidos pelas normas de balneabilidade.
De acordo com os pesquisadores, o contato com o material contaminado pode causar coceiras, irritações na pele, diarreia, náuseas, infecções urinárias e infecções generalizadas. O estudo também aponta que centenas de internações por doenças de veiculação hídrica são registradas todos os anos em São Luís.
O levantamento foi encaminhado aos órgãos responsáveis com o objetivo de reforçar investimentos em saneamento básico e balneabilidade. Para quem frequenta a orla, o risco já é conhecido. Muitos evitam entrar no mar como forma de prevenção.
A pesquisa também ganhou repercussão internacional, após a publicação de um artigo científico revisado por pesquisadores de outros países. Segundo os autores, São Luís está entre as capitais que menos investem em saneamento básico, o que contribui para os altos índices de contaminação.
Em nota, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema) informou que realiza, de forma contínua e semanal, o monitoramento oficial da balneabilidade das praias da Região Metropolitana de São Luís, seguindo os padrões do Conama. A secretaria destacou que não existe norma federal ou estadual que estabeleça parâmetros específicos para a qualidade da areia.
Já a Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema) afirmou que vem realizando investimentos estruturantes em saneamento básico. Entre 2024 e 2025, mais de R$ 600 milhões foram aplicados na ampliação da rede de esgotamento sanitário, na modernização das estações de tratamento e na redução de lançamentos irregulares de esgoto.
Segundo o governo estadual, as ações têm como objetivo melhorar, de forma contínua, a qualidade das águas dos rios e das praias da Grande Ilha.




