Uma pesquisa do Centro do Professorado Paulista (CPP) expõe um cenário de insegurança feminina nas escolas paulistas. O levantamento mostra que as professoras são as profissionais que mais relatam violência e sensação de vulnerabilidade no ambiente escolar. Mais da metade das professoras não se sentem seguras.
Os dados servem de alerta poucos dias antes da celebração do Dia Internacional da Mulher, em 8 de março.
A CNN Brasil revela o estudo “A percepção da docência frente à violência nas escolas” em primeira mão, nesta . Os dados apresentados colocam em evidência um cenário pouco debatido fora do ambiente educacional: as mulheres são maioria nas escolas paulistas, mas também concentram os maiores relatos de insegurança no ambiente escolar.
O estudo contou com a participação de 1.144 professores e profissionais da educação, sendo 803 (70,2%) mulheres. Dentro desse universo, 74,72%, o equivalente a 600 profissionais, relatam não se sentir seguras dentro da sala de aula e no ambiente escolar.
A pesquisa do CPP aponta que as situações mais frequentes são agressões verbais e psicológicas, além de desgaste emocional recorrente.
Ana Carolina Soares, advogada do Centro do Professorado Paulista, afirma que os dados reforçam a necessidade de tratar a segurança da mulher na educação como uma pauta permanente. Segundo Ana Carolina, a predominância feminina no setor amplia o impacto social de qualquer problema estrutural.
“Quando observamos que a maioria da categoria é feminina e também a que mais relata insegurança, é preciso olhar para o ambiente escolar com responsabilidade. Segurança e respeito não são temas acessórios, são condições básicas para o exercício da docência”, afirma.
De acordo com o Censo Escolar, produzido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em 2025 foram registradas 22.372 diretoras mulheres nas escolas do estado de São Paulo. A presença feminina é predominante nas redes municipal, privada e estadual, enquanto na rede federal a participação é menor.
Na docência, o avanço também é significativo, em 2025, o estado contabilizou 405.748 professoras.
Segundo Soares, os números indicam que a discussão sobre segurança precisa considerar o recorte de gênero dentro das escolas. “Quando observamos que a maioria da categoria é feminina e também a que mais relata insegurança, é preciso olhar para o ambiente escolar com responsabilidade. Segurança e respeito não são temas acessórios, são condições básicas para o exercício da docência”, finaliza.
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Sobre o CPP
O Centro do Professorado Paulista (CPP), fundado em 1930, é uma associação de classe que representa mais de 75 mil professores em todo o estado de São Paulo.
Com mais de 90 sedes espalhadas pelo estado, sendo quatro na capital, o CPP oferece uma ampla rede de apoio aos educadores.
*Sob supervisão de Thiago Félix




