Depois dos chocantes eventos do episódio anterior, ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos‘ retornou esta semana com mais um impecável capítulo – que foi lançado na HBO Max antes do previsto em virtude do Super Bowl. A nova entrada do segundo spin-off de ‘Game of Thrones‘, que se passa entre os eventos da trama original e da pré-sequência ‘A Casa do Dragão‘, não apenas trouxe uma profunda mudança tonal para o projeto, como o aproximou da conhecida atmosfera de suspense político que sempre acompanhou a história de Westeros. E, se já havíamos nos encantado na semana passada, retornamos agora para um novo espectro dessa instigante jornada que já nos prepara para o finale.
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Após enfrentar Aerion (Finn Bennett) para proteger a jovem marionetista Tanselle (Tanzyn Crawford) das investidas malignas do psicótico Príncipe Targaryen, e descobrir que Egg (Dexter Sol Ansell) é, na verdade, Aegon, um dos filhos desaparecidos do herdeiro do Trono de Ferro, Ser Duncan (Peter Claffey) se vê desmantelado de todos os sonhos que almejava – como se tornar um Cavaleiro respeitado, seguindo os passos de seu falecido mestre. Acorrentado em uma masmorra, Dunk é visitado por Egg, mostrando-se decepcionado com o garoto por ter mentido sobre sua verdadeira identidade e sendo levado para uma breve conversa com Maekar (Sam Spruell), tio de Aegon.
Dunk é instruído a apelar pelo direito que tem como réu do tribunal que o determinará inocente ou culpado de ter desrespeitado e atacado um Targaryen, além de ser acusado de ter raptado Egg. Dessa maneira, em frente à “corte” que o ouve, o Cavaleiro Andante afirma querer um julgamento por combate; em contrapartida, Aerion, valendo-se de uma prerrogativa milenar, apela para o Julgamento de Sete, uma prática há muito não vista que afirma que tanto o lado acusatório quanto o acusado devem reunir sete cavaleiros que irão batalhar até que um dos grupos caia por completo (por rendição ou por morte). Apoiando-se na mitologia e na misericórdia dos Velhos Deuses, a sangrenta batalha determinará se Dunk será inocentado ou punido.
Sarah Adina Smith retorna mais uma vez à cadeira de direção, mantendo o altíssimo nível do spin-off e, sem sombra de dúvida, superando seu trabalho em “The Squire”. A realizadora pouco a pouco constrói uma ponte entre a trama iniciada na semana passada com a desta semana, regendo a crescente angústia que se apodera dos personagens ao apostar fichas em uma isolação crescente que culmina em novas alianças e artimanhas inesperadas. Aliando-se a Federico Cesca na fotografia, Smith promove uma profunda alteração nos moldes aventurescos e despojados das iterações predecessoras para nos engolfar em um perigoso e inescapável labirinto enevoado que transforma a jornada do herói em um conflito beligerante de interesses e de poder.
A diretora faz isso com a ajuda igualmente imprescindível do roteiro assinado por Azia Barnes, Annie Julia Wyman e Ira Parker, este funcionando como criador e showrunner do spin-off. O trio, abrindo espaço para um lado que ainda não tínhamos visto da série, em momento algum abandona a essência da personalidade de Dunk e Egg, optando por usar o caráter dos protagonistas para amadurecê-los em uma trama repleta de reviravoltas e traições. À medida que laços de amizade e companheirismo são fortalecidos, outros ruem frente a promessas vazias e a uma completa renegação de um dos principais atributos de um Cavaleiro: a honra.
É notável como essa transformação é essencial para nos relembrar, mais uma vez, que todos os riscos tomados no efervescente mundo de Westeros podem ter repercussões catastróficas. Como se não bastasse, depois de sermos levados para o ápice da dinastia Targaryen com ‘A Casa do Dragão’, nos oferecer o início da queda e da ruína de uma das famílias mais poderosas desse panteão é um lembrete de que até mesmo o indivíduo mais temido se esvai com a força ineludível do tempo. E, conforme essa percepção se torna mais clara, Dunk e Egg permanecem como os fios condutores do encontro entre duas esferas muito distintas de um mesmo cosmos.
Esquadrinhando camadas inéditas e que fornecem complexidade ímpar para o que apenas poderia ser uma história de fantasia medieval, ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ volta a nos surpreender com um esplêndido episódio que encontra sucesso nos mínimos detalhes – e que nos “frustra”, por assim dizer, por ter uma duração muito curta.
Lembrando que o próximo episódio vai ao ar no dia 15 de fevereiro.
Fonte: CINEPOP




