Em Vassouras, a cerca de 115 km do Rio de Janeiro, o Museu Casa da Hera é um lugar imperdível para conhecer mais sobre a história da produção de café no Brasil. Com um amplo acervo histórico preservado, o lugar também oferece uma área verde propícia para piqueniques e passeios ao ar livre.
A residência-museu foi propriedade da família Teixeira Leite, e serve como um exemplo da realidade opulenta da elite cafeicultora do século 19. Não é casualidade que fique no coração do Vale do Café, lugar de onde saía 75% do café consumido no mundo, concentrando as riquezas produzidas no período do Segundo Reinado.
Saiba mais sobre os destaques do museu e o agendamento da visita, que é gratuita.
Por dentro da Casa da Hera
A casa comporta 22 cômodos distribuídos em áreas para fins comerciais, sociais, íntimos e de serviço, apontando para as estruturas convencionais das moradias do século 19, que priorizavam os espaços frequentados por visitantes: receber bem os convidados era uma forma de adquirir maior prestígio social.
Isso pode ser percebido na opulência da área comercial da casa, composta pela Sala Comercial, Escritório de Trabalho e Alcovas – pequenos quartos sem janelas, localizados no interior da residência, destinados à hospedagem de visitantes com vínculos estritamente comerciais. Esse conjunto de ambientes era reservado a Joaquim José Teixeira Leite, então um dos mais conhecidos comissários de café da região, que ali recebia comerciantes, fazendeiros, políticos e outras figuras ligadas à produção cafeeira.
A área social, por sua vez, impressiona pela abundância de seus detalhes. Formada por dois salões, o Amarelo e o Vermelho, apresenta decoração em estilo neo-rococó e abriga um vasto acervo, com destaque para o mobiliário no estilo Luís Felipe, luxuosos espelhos e um belo lustre de cristais. Era nesse espaço que a família promovia grandes bailes e saraus, eventos típicos da época.
Outro ambiente aberto à visitação é a área íntima, originalmente restrita aos familiares e amigos mais próximos. Após percorrer um extenso corredor, encontram-se três quartos e uma biblioteca que reúne obras antigas e raras da literatura nacional e estrangeira. Em seguida, a Sala de Jantar abriga uma ampla mesa posta com um conjunto de porcelana de filetes dourados, além da cozinha e da área de serviço, destinadas aos afazeres domésticos.
A chácara e os jardins
O terreno que circunda a Casa da Hera, conhecido como chácara, também oferece experiências marcantes aos visitantes. Seus jardins, cercados por diversas espécies nativas da região, como as vassourinhas, convidam à contemplação e são ideais para quem busca a tranquilidade do interior fluminense.
Com uma área verde de aproximadamente 33 mil m², o espaço foi tombado como patrimônio histórico pelo Iphan em 1952. Entre os percursos possíveis, destacam-se o Caminho das Jabuticabeiras, ladeado por árvores frutíferas típicas da região, e o extenso túnel de bambus conhecido como Túnel do Amor, um dos principais cartões-postais do museu.


Espalhados por diferentes pontos da chácara, encontram-se ainda bonecos produzidos durante as Oficinas de Bonecões Zé Pereira, realizadas entre 2011 e 2013. As peças representam Eufrásia Teixeira Leite e seu pai, Joaquim José Teixeira Leite, últimos proprietários do terreno, além do antigo caseiro Manoel da Silva Rebello, responsável pelo plantio das primeiras heras em 1887, quando passou a cuidar da casa após a partida de Eufrásia e de sua irmã para a Europa.
Outros bonecos prestam homenagem a Manuel Congo e Mariana Crioula, líderes da maior rebelião de escravizados ocorrida no Vale do Café, em 1838, quando centenas de pessoas fugiram das fazendas da região de Paty do Alferes.
Como visitar
Para visitar a Casa, é necessário enviar um e-mail para casadahera@museus.gov.br a fim de programar o passeio guiado, gratuitamente. Já a visita à chácara e aos jardins não exige agendamento prévio.
Confira outras informações na página oficial.
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