Em um momento em que a franquia Predador vem se reinventando com novas abordagens, Máquina de Guerra, novo filme de ação e ficção científica da Netflix dirigido por Patrick Hughes, parece olhar para o passado. A produção retoma a estrutura clássica de soldados enfrentando uma ameaça desconhecida em território hostil, fórmula que continua demonstrando sua força décadas depois.
O longa acompanha um grupo de recrutas do programa Ranger Assessment Selection Program, conhecido como RASP, durante uma missão de treinamento que rapidamente sai do controle. No centro da narrativa está o personagem interpretado por Alan Ritchson (Reacher), um candidato identificado apenas pelo número 81, que carrega traumas pessoais e uma motivação silenciosa enquanto tenta provar seu valor na seleção militar.
A história começa com um prólogo ambientado no Afeganistão, no qual o protagonista presencia um ataque que muda o rumo de sua vida. Dois anos depois, ele retorna ao treinamento militar sozinho, decidido a concluir o que havia começado. Essa introdução estabelece o tom do filme e cria uma aura de mistério em torno do personagem.
Durante o exercício final de treinamento, chamado Death March, o grupo recebe a missão de localizar um avião abatido nas Montanhas Rochosas e destruir seus destroços para evitar que caiam em mãos inimigas. No entanto, ao chegar ao local, os soldados descobrem que o objeto não é uma aeronave convencional.
Ação física e tensão sustentam o primeiro ato
O suposto avião é, na verdade, um dispositivo de origem desconhecida que caiu na Terra poucas horas antes. Quando os recrutas detonam explosivos para cumprir a missão, acabam ativando uma máquina letal que passa a caçá-los implacavelmente. Sem armas reais, já que o exercício era apenas um treinamento, os candidatos precisam fugir e improvisar para sobreviver.
Essa sequência inicial é o ponto alto do filme. Hughes constrói a tensão de forma eficiente, utilizando o terreno montanhoso e a vulnerabilidade dos personagens para criar momentos de suspense genuíno. A ação se destaca pela fisicalidade, transmitindo ao espectador a exaustão e o desespero dos soldados enquanto tentam escapar da máquina.
Alan Ritchson também contribui para a credibilidade da narrativa com uma presença física marcante e um desempenho convincente na primeira metade da história. A dinâmica entre os recrutas, marcada por rivalidades e companheirismo, ajuda a sustentar o drama enquanto o grupo é gradualmente reduzido.
Contudo, conforme o filme avança, a produção perde parte de sua força inicial. Os efeitos visuais da máquina se tornam menos convincentes em algumas cenas e o roteiro tem dificuldade em expandir a premissa além do confronto inicial. O conceito é promissor, mas o desenvolvimento carece de maior criatividade.
O problema se intensifica no terceiro ato. A tentativa de aprofundar o arco emocional do protagonista acaba soando artificial, e o desfecho não atinge o mesmo impacto prometido pelo início. Em muitos momentos, o filme parece encontrar seu ponto ideal poucos minutos antes do final, mas insiste em prolongar a conclusão.
Ainda assim, Máquina de Guerra permanece um entretenimento sólido para quem aprecia ficção científica militar e histórias de sobrevivência. Mesmo com suas limitações narrativas, a produção demonstra como a ideia básica de soldados enfrentando uma ameaça desconhecida continua sendo eficaz quando bem executada.
Máquina de Guerra está disponível na Netflix.
Nota: 3,5 de 5 estrelas
Fonte: CINEPOP




