Uma mãe de duas crianças autistas denunciou ter sido vítima de humilhação e constrangimento durante uma consulta médica realizada na manhã desta sexta-feira no Centro de Especialidades Clínicas (CEC), em Codó. O caso, relatado à reportagem por meio de mensagens, envolve a pediatra identificada como doutora Jesus e gerou revolta pela forma como a paciente afirma ter sido tratada.
De acordo com o relato da mulher, que integra a Associação de Mães e Familiares de Pessoas com Deficiência da Região dos Cocais, ela esteve na unidade acompanhada dos dois filhos autistas para uma consulta pediátrica. Durante o atendimento, pediu encaminhamento para psiquiatra, além de psicólogo e fonoaudiólogo, para que as crianças pudessem receber acompanhamento adequado e, se necessário, iniciar tratamento com a medicação risperidona.
Segundo a mãe, a consulta seguia normalmente até que a médica começou a fazer perguntas sobre sua vida pessoal. Primeiro, perguntou quantos filhos ela tinha. Em seguida, questionou se a paciente já havia trabalhado e como se sustentava. A mulher respondeu que tem três filhos e que sobrevivia com o benefício do Bolsa Família.
Foi nesse momento, conforme o relato, que a situação teria tomado um rumo constrangedor. A mãe afirma que a médica teria reagido em tom de deboche, dizendo que ela “vivia só do Bolsa Família e só ficava parindo, parindo, parindo”.
Indignada, a paciente afirma que se levantou imediatamente e questionou a postura da profissional. “Isso é jeito de me tratar, doutora? A senhora sabe da história da minha vida para falar assim comigo?”, teria respondido, ainda dentro da sala de atendimento.
A mulher conta que estava acompanhada dos filhos no momento da situação e que um deles, de 8 anos, ficou bastante abalado com o que ouviu. “Meu filho entendeu tudo e disse que não quer mais voltar lá”, relatou.
Ainda segundo a denúncia, ao perceber que a paciente estava muito chateada, a médica teria tentado amenizar o clima e chegou a sugerir que a própria mãe procurasse um psicólogo. Para a denunciante, no entanto, o dano já estava feito.
A mãe afirma que saiu da sala chorando e foi amparada por uma enfermeira identificada como Lara, que teria ouvido o desabafo em outra sala e tentado tranquilizá-la. Mesmo assim, o sentimento de revolta permaneceu.
Outro ponto que também causou indignação, segundo a paciente, foi quando a médica perguntou se ela já havia “ligado para não parir mais”, além de questionar se ela tinha marido — perguntas que, na visão da mãe, foram feitas com claro tom de julgamento sobre sua condição social.
O caso levanta mais uma vez o debate sobre o tratamento dispensado a pacientes na rede pública de saúde, especialmente mães de crianças com deficiência, que já enfrentam uma rotina marcada por desafios, sobrecarga emocional e dificuldades no acesso a tratamentos especializados.
Até o momento, não há posicionamento oficial da unidade de saúde sobre a denúncia. A expectativa é que o caso seja apurado, já que relatos de humilhação dentro de consultórios médicos colocam em xeque a humanização no atendimento e o respeito que todo paciente merece receber.
Fonte: Portal do Maranhão




