Luana do Reggae retorna aos palcos e celebra trajetória

Luana do Reggae retorna aos palcos e celebra trajetória

“Salve nação regueira!” Essa frase pode ser algo nada familiar para alguns. Mas, em Alagoas, a junção se tornou um grande marco cultural no estado, principalmente em Maceió, a capital alagoana.

Na década de 90, o movimento do reggae se desenvolvia gradativamente na cidade por diversos artistas locais, majoritariamente masculinos, como os DJs Thuppa, Cleiton Rasta e Sergynho Rasta, que fizeram parte deste momento histórico. Contudo, mesmo em ascensão, o público feminino não possuía tanta voz nesse espaço, sendo elas backing vocals ou apenas ficando por trás das cortinas.

Apesar de ter tido mulheres na cena local como a banda Mandhalas – primeiro grupo do gênero formado unicamente por artistas femininas no estado –, ainda havia a necessidade de tê-las mais presentes. A partir disso, em 1998, durante a gravação de um melô, Luana Freire dos Santos colocou o seu boné de crochê vermelho, preto e amarelo e se transformou em Luana do Reggae – a musa do gênero.

Para o Tenho Mais Discos Que Amigos!, a cantora falou sobre o seu retorno aos palcos após um hiato de 13 anos, destacou a importância das mulheres no reggae alagoano e enfatizou como o movimento do gênero ainda é passado por gerações. 

De melô a melô

A artista começou a compor ainda jovem | Foto: Guido Alexandre

Apesar de ser conhecida no reggae, Luana inicialmente foi por um caminho diferente; durante a adolescência, a cantora começou a escrever músicas de forró ao lado de duas amigas. As canções eram inspiradas em conversas do grupo e emoções que sentiam durante a juventude em Vergel do Lago. “A gente não tinha estrutura nem dinheiro, porém, tínhamos sonhos! E era isso que movia a gente continuar”, disse.

No entanto, foi na carreira solo que Luana do Reggae brilhou. Em meio à ascensão da carreira, através de eventos em casas de shows famosas em Maceió, uma personalidade ajudou a cantora em um dos principais projetos da cena musical alagoana: Jefferson Moraes.

O jornalista e apresentador alagoano investiu no primeiro LP da cantora, Te Amo Demais. Durante a , a musicista contou detalhes sobre importância do comunicador no sucesso da carreira.

“Na época, eu não tinha condições financeiras. Contudo, ele [Jefferson] me deu a oportunidade de gravar. Fechou com estúdios, contratou músicos e enviou o CD base para a fabricante, onde pediu mais de cinco mil cópias. Ele acreditou e, mesmo não gostando de reggae, me deu a mão”.

A artista enfatiza que a união, o amor e a sinceridade com a foram elementos fundamentais e que deram alma ao projeto. Atualmente, o disco se tornou um marco atemporal na história do gênero em Alagoas, possuindo hits como “Ainda Te Amo Demais”, e “Não Dá Mais”. No entanto, com o sucesso, tudo mudou em sua vida.

As regueiras da nação reggae music

Luana fala sobre a importância da mulher dentrro do movimento reggae | Foto: Guido Alexandre

A partir do lançamento do primeiro álbum, Luana do Reggae não apenas conquistou o coração do público, mas se tornou a personificação da força feminina dentro do gênero em Alagoas, sendo uma das poucas artistas mulheres a contribuir dentro daquele cenário musical. 

Entretanto, ainda que a artista encarasse uma alta popularidade de suas canções, isso não a livrou de obstáculos em meio a um movimento predominantemente masculino. 

“Ser mulher no reggae, principalmente no início da minha caminhada, significava ter que provar o tempo todo que eu merecia estar no mesmo lugar. Muitas vezes o olhar não vinha primeiro para a música, mas para a aparência, para os julgamentos, para as dúvidas sobre a nossa capacidade de liderar uma banda ou sustentar um show”.

Regueiras clássicas como a banda Mandhala (composta apenas por mulheres) já debatiam sobre o papel da classe dentro do reggae. Outras cantoras como Negra Li – filha de Sergynho Rasta – e a cantora contemporânea Llari somaram para a luta por visibilidade no gênero. 

Sobre o assunto, Luana enfatiza a importância dos artistas na ampliação da mensagem das músicas e vivência que cada uma possui.

“A presença da mulher no reggae alagoano é fundamental porque traz novas vivências, sensibilidade e força para a cena, ampliando a mensagem de amor, consciência e transformação que o reggae carrega. Cada artista feminina que sobe ao palco também representa resistência e abre caminhos para outras”.

Segundo a cantora, mesmo que atualmente existam mais mulheres dentro do cenário regueiro, ainda faltam espaços, visibilidade e oportunidades de trabalho para as mesmas.

“É importante que as mulheres sejam vistas como parte natural do movimento, ocupando não só o palco, mas também a composição, produção e liderança dentro da cena”.

Os novos regueiros

Diante a uma nova geração de alagoanos, diversas dinâmicas sociais mudaram: a forma de comunicação, socialização e, principalmente, o modo de se consumir materiais musicais. Mas, em periferias da capital, a tradição do reggae se mantém firme e forte.

Sobre a preservação do gênero em bairros periféricos, Luana discute sobre o importante papel social em cada esquina destas localidades.“Ele funciona como a voz da comunidade, contando histórias reais, falando de amor, luta, fé e resistência. São temas que fazem parte do dia a dia de quem vive nessas regiões”, diz.

Em meio às ruas estreitas e uma vivência com desafios diários, nos finais de semana apenas se escuta uma coisa entre as janelas das casas dessas regiões: os melôs. Para esse público, o vai para além da música, estando presente também nas vestimentas, nas inspirações artísticas e no cotidiano.

Durante a entrevista, a cantora conta que a “antiga” nação regueira foi fundamental para a disseminação do movimento, fazendo com que os jovens escutassem o gênero de maneira direta ou indireta.

“O reggae nesses bairros cria pertencimento. Os jovens se veem representados nas letras, nos artistas locais, nos eventos de rua, nas bandas que surgem das próprias comunidades, e isso fortalece a autoestima coletiva e mostra que, desses lugares, saem talentos, arte e mensagem”.

Retorno aos palcos

Após treze anos longe dos palcos, cantora retorna em apresentação especial | Foto: Guido Alexandre

Porém, nem tudo são flores. Após mais de uma década consolidada em Maceió e nos municípios do estado, Luana do Reggae tomou uma das decisões mais difíceis da sua vida: sair de Alagoas. 

A artista afirma que a escolha foi necessária enquanto pessoa e mulher, tendo um período de aprendizado e crescimento pessoal.

“Foram 6 anos longe dos palcos, sendo um tempo de silêncio artístico, mas de muito crescimento interno. Durante esse período eu amadureci, vivi outras realidades, enfrentei desafios que me fortaleceram e aprendi a me reconhecer além dos aplausos do público. Conquistei força emocional, renovei a minha fé e obtive uma visão mais profunda sobre quem eu sou e o que a música realmente significa pra mim”.

Em 2019, a musicista retorna à cidade natal para gravar o Ainda Te Amo Demais, dirigido por Flávia Correia. O curta é um registro publicamente íntimo da relação do reggae com a capital alagoana, mostrando o cotidiano de pessoas que representam um dos grupos mais resistentes do estado.

Após a sua volta e pela repercussão do audiovisual, alguns trabalhos relacionados à música surgiram para a cantora. Porém, foi em 2026 que o hiato foi completamente encerrado.

“Foram 13 anos morando longe do meu povo, minha família. Não é fácil. Quando a saudade bate, dói muito”.

A artista foi anunciada como atração do Massayo Verão, evento gratuito promovido pela Prefeitura de Maceió. Emocionada, Luana conta que, ao subir no palco, sentiu um frio na barriga e o coração acelerar, mas a reação do público com a sua volta superou a ansiedade.

“Ver o público da minha terra, ouvir as pessoas cantando comigo e sentir aquela energia foi um misto de alegria, gratidão e superação. Passou um filme na cabeça. A luta, o tempo longe, o retorno, ali não foi apenas um show, foi um reencontro com as minhas raízes, com a minha história e comigo mesma. Como se aquele dia fosse a primeira vez”.

Com o espetáculo, a cantora não pretende parar de cantar novamente. O objetivo é continuar levando as suas canções para o máximo de pessoas que puder, promover encontros e realizar projetos que ressaltem a cultura e valorizem outros artistas locais.

“O que eu quero é seguir tocando vidas, representando minha terra e fazendo música com propósito, amor, fé e do jeitinho que a minha caminhada foi guiada”.

Para além de sua carreira, Luana do Reggae é o verdadeiro significado de persistência e amor pelo que produz. A sua lembrança continua viva através dos fones de ouvido, nas frases regionais, nos eventos de tributo e na celebração ao movimento do gênero musical. Afinal, como diria uma de suas canções, “Ainda Te Amo Demais” para viver sem escutá-la.

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