A nova era parece vir de uma ânsia de viver, retratada, inclusive, no clipe de “American Girls”, que traduz o que ele contou para o Zane Lowe durante entrevista. “Acho que, para mim, a música é bastante solitária em muitos aspectos”, explicou. Nos últimos anos, o cantor viu três de seus amigos mais próximos se casando e mergulhando de cabeça em novas aventuras.
“Ao vê-los confiar em algo e arriscar para encontrar algo verdadeiramente gratificante, de uma forma que não é tão brilhante e emocionante quanto parece no papel, eu pensava: ‘Estou solteiro, então estou me divertindo muito’. E ‘American Girls’ é justamente sobre vê-los se casando, e existe uma magia quando você encontra a pessoa certa com quem quer estar, mas acho que vê-los fazer isso e perceber que não acontece sem riscos é algo muito significativo.”, completou.
No vídeo, Harry aparece como mero espectador, enquanto os riscos reais são enfrentados por dublês. Isso reforça a necessidade pulsante que ele sentiu em sair da zona de conforto e testar novas coisas nos últimos anos. “Season 2 Weight Loss” segue na mesma linha lírica, usando de metáforas sobre perda de peso e autocuidado como forma de voltar para uma segunda temporada sendo a versão mais forte de si mesmo.
Pista de dança melancólica
“Coming Up Roses” mostra que a pista de dança também guarda muita melancolia e um pouquinho de sofrimento. Acompanhado de uma orquestra de 39 músicos, a faixa se desenrola em uma crescente instrumental das mais marcantes na carreira de Harry Styles. A dramaticidade dos instrumentos conversa perfeitamente com a única composição inteiramente solo do cantor nesse disco, provando ser uma das mais pessoais que já produziu.
Na mesma linha melancólica, a acústica “Paint By Numbers” segue uma progressão confortável de acordes no violão enquanto Harry canta sobre seu antigo relacionamento com a diretora Olivia Wilde. “Carregando o peso das crianças americanas cujos corações você parte / Foi uma tragédia quando você disse a ela “Eu não tenho nem trinta e três anos”?”.
“Dance No More” retoma o alto astral e possui um dos maiores potenciais virais do disco. “Respect, respect your mother” reverencia a comunidade LGBTQIA+ principalmente dentro do surgimento da disco music. O trecho demonstra respeito pelas figuras que vieram antes e pavimentaram o caminho até aqui.
“Você consegue ouvir a voz trazendo as notícias? Está tudo à sua espera” é o recado final do álbum na catártica “Carla’s Song”. A faixa de encerramento soa como um convite ao ouvinte para experimentar o mundo e aproveitar tudo aquilo que nos traz alegria.
Mais Harry Styles do que nunca
Ao abraçar uma estética mais barulhenta, experimental e, por vezes, desconcertante, Harry Styles não abandona sua essência artística e escolhe expandi-la. O resultado é um disco desafiador, mas que se revela extremamente coerente dentro da trajetória que ele vem construindo desde o início da carreira solo, ressaltando que uma de suas principais características é fugir da previsibilidade.
Ao invés de se moldar ao que o mercado espera de um popstar, ele segue usando cada nova era como oportunidade de redescobrir o próprio som. É justamente nessa disposição de mudar sem perder a identidade que sua discografia continua evoluindo de forma orgânica, o consolidando como uma das principais referências para uma nova geração de homens no pop.
“Kiss All The Time. Disco, Occasionally.” reforça que o artista está longe de esgotar suas possibilidades e, felizmente, sempre deixa espaço para continuar surpreendendo.
Nota: 8/10
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