Durante muito tempo, parecia impossível competir com o impacto absurdo de animes com lutas cinematográficas e marketing massivo, era quase injusto comparar. Mas 2026 colocou um novo nome nesse ringue, Frieren: Além da Jornada.
Madhouse vs MAPPA
De um lado, temos a Madhouse, veterana histórica da indústria. Um estúdio que já entregou clássicos como Death Note e Hunter x Hunter (2011). Conhecida por valorizar atmosfera, direção sensível e ritmo narrativo mais controlado.
Do outro lado, a gigante MAPPA. O estúdio que virou sinônimo de intensidade nos últimos anos, responsável por elevar Jujutsu Kaisen a outro nível, com cortes rápidos, coreografias agressivas e explosões.
Mas aqui está o ponto-chave: enquanto a MAPPA impressiona com impacto imediato, a Madhouse trabalha profundidade emocional. E curiosamente, essa abordagem mais delicada está conquistando o público.


Técnica pura: quem entrega mais?
Vamos falar friamente, como fãs que amam detalhe técnico.
MAPPA em Jujutsu Kaisen:
- Animação fluida em lutas de alto orçamento
- Direção dinâmica, câmera agressiva
- Coreografias brutais e estilizadas
Madhouse em Frieren: Além da Jornada:
- Uso impecável de iluminação e silêncio
- Ritmo contemplativo sem perder tensão
- Direção que valoriza microexpressões e atmosfera
A MAPPA faz você segurar a respiração na batalha. A Madhouse faz você sentir um vazio existencial no silêncio de uma lembrança. Qual pesa mais? Depende do momento cultural. E hoje, parece que o público está mais sensível ao segundo.


A maturidade do público mudou o jogo?
Talvez essa seja a grande virada. Durante anos, o shonen foi dominado pelo modelo “mais forte, mais rápido, mais intenso”. Jujutsu Kaisen representa o auge dessa fórmula moderna. É visceral. É energético. É caótico no melhor sentido possível.
Mas Frieren aposta na pergunta que poucos shonens fazem: o que acontece depois que o herói vence? Essa inversão é quase subversiva. E o trabalho da Madhouse em dar peso emocional a cada cena eleva essa proposta.


E Hell’s Paradise entra onde nisso?
Vale lembrar que Hell’s Paradise também é da MAPPA. Visualmente, é outro monstro técnico. Violento e cheio de tensão psicológica. Só que Hell’s Paradise sofreu com comparação direta tanto com Jujutsu quanto com Frieren.
Ele é intenso, mas não trouxe a mesma revolução narrativa. Ficou entre dois extremos: nem tão explosivo quanto Jujutsu, nem tão emocional quanto Frieren. E no fim, o público sempre acaba escolhendo o que mais mexe com ele.


Impacto cultural: quem marca época?
Jujutsu Kaisen marcou uma geração com personagens icônicos e momentos virais. Basta uma luta sair que a internet explode. Mas Frieren está fazendo algo mais silencioso, e talvez mais duradouro. Está mudando a percepção do que um shonen pode ser.
Criadores de conteúdo analisam simbolismo. Fãs discutem filosofia. Vídeos exploram metáforas sobre tempo e memória. Isso é raro dentro do gênero. E quando um anime começa a ser debatido como obra artística, não apenas como entretenimento, ele entra em outro patamar.


Estamos vendo uma troca de era?
Talvez não seja uma substituição. Talvez seja uma expansão. MAPPA continua sendo referência técnica absurda. Mas a Madhouse mostrou que não precisa competir em explosões para dominar rankings.
E talvez o público esteja justamente procurando algo que fique na mente depois que o episódio termina. Será que estamos assistindo a uma mudança real no trono do shonen? Ou é apenas o momento perfeito de uma obra alinhada com o espírito da época?
Uma coisa é certa: a disputa agora não é só entre personagens. É entre estilos de estúdio, entre espetáculo e sensibilidade. Isso torna tudo muito mais interessante.
Fonte: CINEPOP




