O cineasta Quentin Tarantino rebateu recentemente as críticas feitas pela atriz Rosanna Arquette. Em entrevista recente, a atriz questionou o uso recorrente da “N-word” (insulto racial em inglês) nos filmes do diretor. De acordo com a Variety, Tarantino respondeu às declarações por meio de uma carta aberta, na qual acusou Arquette de atacar o filme e demonstrar “uma clara falta de classe, para não dizer de honra”.
Leia a resposta de Tarantino na íntegra:
“Querida Rosanna, espero que a publicidade que você está recebendo de 132 diferentes veículos de mídia escrevendo seu nome e publicando sua foto tenha valido a pena por desrespeitar a mim e a um filme do qual me lembro claramente que você estava entusiasmada em participar.
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Você se sente assim agora? Muito possivelmente.
Mas depois que eu lhe dei um trabalho, e você aceitou o dinheiro, falar mal dele pelo que suspeito serem razões muito cínicas demonstra uma clara falta de classe, para não dizer de honra. Deve haver um espírito de camaradagem entre colegas artistas. Mas parece que o seu objetivo foi alcançado.
Parabéns!”.
Atriz de ‘Pulp Fiction’ DETONA Quentin Tarantino pelo uso de termo racista: “Não é arte”
Lembrando que em entrevista ao portal World of Reel, Arquette reconheceu o valor técnico da obra, mas condenou o que chamou de “passe livre” dado ao diretor pela indústria.
“É icônico, um grande filme em muitos aspectos, mas pessoalmente estou cansada do uso da N-word, eu odeio isso. Não suporto que ele [Tarantino] tenha recebido um passe livre. Isso não é arte, é apenas racista e perturbador”, declarou a atriz.
A crítica de Arquette, no entanto, está longe de ser isolada. O uso do termo nos roteiros de Tarantino é motivo de debate há décadas entre profissionais da indústria e o público. Embora o insulto apareça cerca de 20 vezes em ‘Pulp Fiction’, grande parte das críticas costuma se concentrar em ‘Django Livre’, onde a palavra é utilizada quase 110 vezes.
Um dos críticos mais vocais foi o diretor Spike Lee, que chegou a afirmar que se recusaria a assistir a ‘Django Livre’.
“Isso é desrespeitoso com meus ancestrais. Essa é apenas a minha opinião. Não estou falando em nome de mais ninguém”, disse Lee na época.
Lee já havia criticado Tarantino anos antes, após o lançamento de ‘Jackie Brown’: “Tenho um problema claro com o uso excessivo da N-word por Quentin Tarantino. E que fique registrado que nunca disse que ele não pode usar essa palavra, eu mesmo já usei em muitos dos meus filmes, mas acho que há algo errado com ele”.
Por outro lado, Tarantino conta com defensores dentro da própria indústria. Um dos mais conhecidos é Samuel L. Jackson, ator que já participou de diversos filmes do diretor e costuma defender a crueza dos diálogos como parte do realismo das histórias.
“Isso é besteira… Você não pode simplesmente dizer a um roteirista que ele não pode escrever as palavras que as pessoas realmente diriam. Senão tudo se torna falso. Não há desonestidade em nada que Quentin escreve ou na forma como as pessoas falam, sentem ou se expressam [nos filmes dele]”, afirmou o ator em 2019.
Atualmente, ‘Pulp Fiction: Tempo de Violência’ está disponível no catálogo da Netflix.
Fonte: CINEPOP




