A 21Shares, uma das maiores gestoras globais de ETFs de criptoativos, defende o modelo de exposição a esse mercado por meio de produtos listados em bolsa, mesmo diante da volatilidade observada em 2025 e da saída de grandes gestoras do setor.
Segundo Bruna Cabus, associada sênior da empresa, os ETFs oferecem vantagens significativas em relação à exposição direta aos ativos.
“A maior diferença de uma ETF para uma exposição direta é, primeiramente, pela segurança em que você pode comprar em uma bolsa. Os ativos são 100% físicos em bancos custodiantes institucionais e você consegue colocar no seu portfólio de maneira mais simples, como comprando uma ação“, explicou Cabus durante entrevista.
A especialista esclareceu que a volatilidade observada nos ETFs de criptoativos em 2025 não está relacionada à estrutura do produto em si, mas reflete o comportamento natural do mercado de criptomoedas.
“Eu não acho que seja um problema do ETF, porque o ETF vai seguir o preço dos criptoativos no geral”, afirmou.
Ela destacou também que o mercado está se adaptando com o desenvolvimento de produtos mais diversificados, como ETFs que combinam cripto com ouro ou stablecoins.
Perfil dos investidores em ETFs de criptoativos
Um aspecto interessante observado por Cabus é a diferença no perfil dos investidores em diferentes regiões.
Na Europa, onde o mercado de ETFs e ETPs (Exchange Traded Products) de criptoativos existe há cerca de sete anos, há uma participação maior de investidores institucionais. Já nos Estados Unidos, quando os primeiros ETFs de Bitcoin foram lançados, houve uma surpresa: “A empresa esperava um flow muito maior do institucional, o que na verdade não aconteceu, foi muito mais voltado ao varejo”.
No entanto, esse cenário tem mudado gradualmente. Segundo Cabus, o mercado americano começou com aproximadamente 70% de investidores de varejo e 30% institucionais, mas essa proporção vem se alterando com o tempo, com aumento da participação institucional.
Ela atribui essa mudança à maior regulação do setor e à liquidez crescente desses ativos.
A questão da regulação foi destacada como um fator importante para a popularização dos ETFs.
Com regras mais claras para negociação de criptoativos, como as recentemente aprovadas no Brasil, há um favorecimento para veículos de investimento regulados como os ETFs, que tendem a atrair mais o dinheiro institucional.
Outro ponto interessante mencionado foi a mudança geracional que impulsiona o mercado. Cabus relatou que muitos de seus clientes institucionais na Europa começaram a se interessar por criptoativos porque os filhos já investiam diretamente em exchanges.
“Vários dos meus clientes que são institucionais estão olhando para isso e começaram a oferecer cripto justamente para atrair esse tipo de cliente”, comentou.
Como exemplo da evolução do mercado, Cabus mencionou o recente lançamento do primeiro ETF do mundo a incluir stablecoin, desenvolvido em parceria com um banco europeu.
O produto utiliza USDC para controle de risco, demonstrando como instituições financeiras tradicionais estão gradualmente entrando no espaço cripto com soluções inovadoras.
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