O episódio 4 de O Cavaleiro dos Sete Reinos, intitulado “Seven”, recupera um dos conceitos mais emblemáticos de Game of Thrones ao expandir o Julgamento por Combate para sua versão mais antiga e brutal: o Julgamento dos Sete. A prática, tão extrema que até mesmo Maekar Targaryen desconhece seus detalhes, reforça o caráter arcaico e violento da justiça em Westeros, além de elevar consideravelmente as apostas para Dunk.
O episódio se inicia com Dunk preso após atacar Aerion, em uma abertura silenciosa e melancólica que traduz perfeitamente o estado emocional do personagem. Mesmo sendo fisicamente imponente, Dunk aparece diminuído, isolado e traído, reduzido à companhia de um rato. A cena estabelece o tom do capítulo e prepara o terreno para o conflito mais doloroso do episódio: o rompimento entre Dunk e Egg.
Dunk e Egg no limite da confiança
A conversa entre os dois é um dos pontos mais fortes da temporada até aqui. Egg errou ao mentir sobre sua identidade Targaryen e ao conduzir Dunk a uma situação que quase lhe custou a vida, mas também é retratado como uma criança movida por sonhos, sem orientação adequada.
Dunk, por sua vez, sente que perdeu não apenas a confiança, mas também a dignidade. A série acerta ao não tomar partido, mostrando a relação como algo fraternal, quase romântico em essência, marcada por afeto genuíno e consequências trágicas.
Dexter Sol Ansell entrega uma atuação sensível como Egg, transmitindo arrependimento e vulnerabilidade em cada gesto. Peter Claffey, por sua vez, reforça o carisma de Dunk ao defender o garoto diante de Baelor Targaryen, deixando claro que, apesar da mágoa, o vínculo entre os dois é inquebrável. A química entre os atores sustenta o coração emocional da série.
O episódio também faz um excelente trabalho ao justificar a introdução de personagens secundários apresentados anteriormente. Raymun Fossoway e Lyonel Baratheon deixam de ser figuras decorativas para se tornarem aliados fundamentais no Julgamento por Sete. Egg, mais uma vez, prova sua importância ao conseguir reunir combatentes para Dunk, algo que o cavaleiro, por natureza avesso ao confronto político, jamais conseguiria sozinho.
Entre os coadjuvantes, Baelor Targaryen se destaca como a grande surpresa da série. Racional, empático e disposto a enfrentar a própria família em nome da justiça, o herdeiro do Trono de Ferro surge como um raro exemplo de nobreza genuína entre os Targaryen. Sua postura evoca ecos de Daenerys em seus melhores momentos e evidencia como Westeros carece, há gerações, de líderes verdadeiramente justos.
O clímax do episódio prepara com maestria o confronto que está por vir. A montagem do campo envolto em névoa, o contraste entre as armaduras luxuosas dos Targaryen e o equipamento simples de Dunk, e o discurso desesperado do protagonista aos nobres de Westeros constroem uma tensão quase insuportável. O momento em que Baelor entra em campo ao lado de Dunk é poderoso, simbólico e emocionalmente recompensador.
A trilha sonora clássica de Game of Thrones, utilizada no encerramento, funciona como um lembrete do peso histórico da franquia. O Cavaleiro dos Sete Reinos pode trilhar um caminho próprio, mas não abdica da grandiosidade que define esse universo.
Com o Julgamento dos Sete finalmente armado, o próximo episódio terá a missão de provar se o spin-off consegue igualar o impacto visual e dramático das batalhas que consagraram Game of Thrones – e, após “Seven”, a expectativa é plenamente justificada.
O Cavaleiro dos Sete Reinos tem novos episódios lançados semanalmente, sempre à meia-noite de segunda-feira, na HBO Max.
Fonte: CINEPOP




