O cinema brasileiro não conquistou estatuetas na cerimônia do Bafta, o principal prêmio da Academia Britânica de Cinema, realizada neste domingo (22). O longa-metragem pernambucano O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, disputava as categorias de Melhor Filme de Língua Não-Inglesa e Melhor Roteiro Original, mas foi superado pelas produções Valor Sentimental (Noruega) e Pecadores, respectivamente.
O Brasil também concorria em Melhor Documentário com Apocalipse nos Trópicos e Melhor Fotografia com Adolpho Veloso em Sonhos de Trem, mas ambas as produções saíram sem prêmios.
Apesar da derrota, a presença brasileira em Londres foi marcante. O ator Wagner Moura, que já venceu o Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme de Drama este ano e está indicado ao Oscar, prestigiou o evento.
Embora tenha ficado de fora da seleção final de atores do Bafta, Moura segue como um dos grandes nomes da temporada de premiações internacionais.
O resultado britânico, contudo, não desanima os entusiastas, já que O Agente Secreto possui uma presença ainda mais ampla nas indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme e Melhor Direção de Elenco.
O Bafta como termômetro para o Oscar
Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil destacam que o Bafta não deve ser considerado um termômetro definitivo para o Oscar. O histórico das últimas décadas reforça essa tese, mostrando que os corpos de votantes das duas academias possuem critérios e composições distintas.
Exemplo recente disso foi o drama Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, que conquistou o primeiro Oscar para o Brasil na temporada passada, mas não venceu na cerimônia britânica.
Outros clássicos do cinema nacional também viveram situações divergentes nas duas premiações:
• Central do Brasil (1999): Venceu o Bafta de Filme Estrangeiro, mas não levou o Oscar.
• Cidade de Deus (2003): Conquistou o Bafta de Melhor Edição com Daniel Rezende, mas saiu da premiação americana sem estatuetas.
• Ainda Estou Aqui (2025): Venceu o Oscar de Melhor Filme Internacional, mas perdeu no Bafta para Emilia Pérez.
Essa disparidade mostra que a trajetória de O Agente Secreto continua aberta e promissora rumo à cerimônia em Hollywood, onde a produção brasileira terá novas oportunidades de consagrar o país no cenário global.
Fonte: O Imparcial




