Brasil inicia 2026 com recorde de 73 milhões de inadimplentes e alta reincidência

Brasil inicia 2026 com recorde de 73 milhões de inadimplentes e alta reincidência

O cenário financeiro para as famílias brasileiras em 2026 começa sob forte pressão. Dados consolidados pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC revelam que o país encerrou novembro de 2025 com 72,96 milhões de negativados. O número representa um crescimento anual de 8,93%, atingindo quase metade da população adulta do país. O dado mais alarmante, segundo as entidades, é a reincidência: 8 em cada 10 novos inadimplentes já haviam passado pelos cadastros restritivos nos 12 meses anteriores.

O valor médio devido por cada negativado é de R$ 4.781,98, pulverizado entre pouco mais de duas empresas credoras. Embora o montante total seja alto, o levantamento destaca que 43,97% das dívidas são de valores até R$ 1.000,00, evidenciando que mesmo quantias mó não são quitadas por falta de margem no orçamento doméstico.

As instituições financeiras são as principais credoras, concentrando 65,24% das pendências. Esse domínio do setor bancário no mapa da inadimplência é explicado, em parte, pelo custo do crédito. Com a taxa encerrando 2025 em 15% ao ano, os na ponta final tornaram-se proibitivos: o rotativo do cartão de crédito ultrapassa a marca de 430% ao ano, criando um efeito “bola de ” que impede a reabilitação financeira do consumidor.

O ciclo do “rodízio de contas”

O identifica um fenômeno de “moratória informal”. O intervalo médio entre o vencimento de uma dívida e o surgimento de outra é de apenas 74 dias. Na prática, o consumidor vive em um rodízio permanente: escolhe qual conta atrasar para conseguir pagar outra, sem nunca alcançar a recomposição total do orçamento.

Além disso, o valor médio utilizado para “limpar o nome” (R$ 2.741,31) é significativamente menor do que a dívida média total. Esse gap mantém um saldo remanescente que favorece novos atrasos ao primeiro sinal de imprevisto, como problemas de ou manutenção da moradia.

Para os líderes do setor varejista, como José César da Costa (CNDL), a persistência da Selic em dois dígitos — com previsão do de encerrar 2026 em 12,25% — limita a capacidade de recuperação das empresas e do .

Mesmo com o desemprego em níveis baixos, o uso do crédito no Brasil tem servido mais para a sobrevivência básica do que para o investimento ou consumo de bens duráveis. A expectativa para este ano é de uma queda moderada nos juros, mas ainda insuficiente para estancar o crescimento da inadimplência estrutural.

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Fonte: O Imparcial

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