Essa consideração também se estende à organização. O show não foi qualquer um: o artista trouxe a estrutura completa para São Paulo, com um telão enorme, efeitos visuais brilhantes e câmeras com luzes LED, sincronizadas entre arquibancada e pista.
Pelo menos metade da noite se passa na “La Casita”, onde o perreo toma conta do estádio com seus sucessos de reggaeton e de trap latino, como “Tití Me Preguntó”, “Yo Perreo Sola”, “Safaera”, “Monaco” e tantos outros. O espaço conta com dançarinos e convidados especiais, que são convocados pela produção na pista e nas arquibancadas antes da apresentação começar. É um bloco que não somente demonstra a dedicação de Bad Bunny aos mínimos detalhes para recriar cenas típicas de Porto Rico, mas também a sua atenção em proporcionar uma experiência completa para todos os fãs, independentemente do setor.
Cada apresentação da turnê também tem um toque único com uma música exclusiva por noite. Para o segundo show em São Paulo, a canção escolhida foi o remix de “Te Boté”, diretamente dos primórdios de sua carreira. O coletivo porto-riquenho Los Pleneros de La Cresta, que tem acompanhado o artista, junta-se à Casita na sequência para uma performance especial de “Café Con Ron”.
A reta final da noite reúne algumas das faixas mais emocionais do repertório. A romântica “Ojitos Lindos” abre o bis junto a “La Canción”, parceria icônica com o cantor colombiano J Balvin. Também há espaço para o protesto político em “El Apagón”, música que denuncia os apagões corriqueiros de Porto Rico, decorrentes da falta de estrutura deixada pelos Estados Unidos na ilha. “Agora todos querem ser latinos, mas lhes falta tempero, bateria e reggaeton”, canta Bad Bunny.
“DTMF”, o maior hit de sua carreira, une o público em uma catarse coletiva. Por uma só canção, Benito pede ao público para guardar os celulares e “aproveitarem o presente”. Em um só coro, os fãs pularam e se abraçaram ao refrão, em um dos momentos mais emocionantes da noite. Por um momento, todos eram brasileiros, mas também porto-riquenhos.
Mas, a todo momento, somos todos latinos. O show de Bad Bunny resgata o sentimento de pertencimento ao continente que o Brasil deixou de lado de sua história, e abraça novos e velhos fãs em um espetáculo, em suas próprias palavras, “sobre aproveitar as pequenas coisas da vida”. Um baile, de fato, inesquecível.
SETLIST:
1. “La Mudanza”
2. “Callaita”
3. “Pitorro de Coco”
4. “Weltita” (com Chuwi)
5. “Turista”
6. “Baile Inolvidable”
7. “Nuevayol”
8. “Veldá”
9. “Tití Me Preguntó”
10. “Perfumito Nuevo” (com RaiNao)
11. “Neverita”
12. “Si Veo A Tu Mamá”
13. “Voy A Llevarte Pa PR”
14. “Me Porto Bonito”
15. “No Me Conoce”
16. “Bichiyal”
17. “Yo Perreo Sola”
18. “Efecto”
19. “Safaera”
20. “Diles”
21. “Monaco”
22. “Te Boté” (música exclusiva)
23. “Café Con Ron” (com Los Pleneros de La Cresta)
24. “Ojitos Lindos”
25. “La Canción”
26. “Kloufrens”
27. “Dákiti”
28. “El Apagón”
29. “DTMF”
30. “EOO”




