Em meio aos recentes ataques aéreos entre Israel e Irã, o cientista político André Lajst, que mora em Tel Aviv, analisou o atual cenário de tensão no Oriente Médio e a fragilidade do regime iraniano liderado por Ali Khamenei. Em entrevista à CNN Brasil, Lajst afirmou que os ataques do país contra Israel nas últimas horas têm sido limitados, caracterizando o que ele descreve como uma “chuva garoa de mísseis”.
“Eles estão jogando 5 mísseis, 3 mísseis, e a maioria desses mísseis são interceptados. O sistema tem essa capacidade de interceptar essa quantidade de uma vez só, porque eles não querem terminar com o seu estoque e também não querem abrir onde estão todos os lançadores”, explicou.
O especialista aponta que o regime iraniano enfrenta um momento de grande fragilidade interna e externa. “O regime no Irã está se corroendo por dentro há muitos anos, primeiro por questões econômicas. É uma inflação gigantesca que está fazendo com que milhares de pessoas protestem nas ruas”, afirmou Lajst.
Ele destacou que o descontentamento popular cresceu porque o governo gasta bilhões de dólares financiando milícias como Houthis, Hezbollah e Hamas, em vez de investir na infraestrutura do próprio país.
Enfraquecimento do “eixo da resistência”
Lajst argumenta que o Irã perdeu importantes aliados regionais nos últimos meses, enfraquecendo sua posição estratégica. “O Irã perdeu três dos quatro, cinco grupos que os protegiam para atacar inimigos do Irã. Em vez de atacar do solo iraniano, usar esses países e essas localidades para atacar esses inimigos”, explicou.
Entre as perdas citadas pelo analista estão o enfraquecimento do Hezbollah no Líbano, com a eleição de um governo contrário ao grupo; o cessar-fogo em Gaza; e a queda do regime de Bachar Al-Assad na Síria.
“Sem o Hezbollah, sem o secretário-geral do Hezbollah, que ficou 32 anos no cargo, Hassan Nasrallah, e sem o governo de Bachar Al-Assad, o Irã se vê sozinho, praticamente”, observou.
Sobre a possibilidade de uma mudança de regime no Irã, Lajst comentou que, caso Ali Khamenei tenha sido ferido ou morto nos ataques recentes (informação ainda não confirmada), isso poderia representar um duro golpe para a sustentabilidade do regime.
“No momento que ele eventualmente é eliminado, vai criar uma certa rusga interna onde um vai competir com o outro para ver quem vai mandar mais ou que caminho o regime deveria seguir em relação ao atual conflito”, analisou.
Quanto a Reza Pahlavi, figura frequentemente mencionada como possível alternativa ao atual regime, o cientista político afirmou que ele tem forte apoio da diáspora iraniana, mas é visto por muitos dentro do Irã como “medroso” e “covarde”. Lajst lembrou ainda que o pai de Pahlavi também liderou um regime ditatorial antes da Revolução Islâmica.
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