Dois animais marinhos foram encontrados mortos no litoral maranhense nos últimos dois dias. As ocorrências foram registradas nos municípios de Paulino Neves, na região do Delta do Parnaíba, e em São Luís.
Em Paulino Neves, moradores do povoado Praia do Tatu encontraram um golfinho morto e parcialmente mutilado na manhã desta terça-feira (24), na Praia da Assembleia. De acordo com relatos da comunidade, o animal teria encalhado durante a noite e foi localizado já sem parte do corpo.
Uma pescadora da região contou que o golfinho apresentava cortes e ausência do lombo, o que levanta a suspeita de ação humana.
Moradores acreditam que o animal possa ter se enredado em equipamentos de pesca e, após ser capturado, abatido. A retirada da carne, segundo a comunidade, pode ter ocorrido para consumo ou uso como isca.
A carcaça foi encontrada por jovens que realizam monitoramento costeiro de animais marinhos, como aves, tartarugas e cetáceos. O grupo atua em parceria com um instituto de pesquisa sediado em São Luís, que já foi acionado e se desloca até a região. A equipe deve recolher os restos mortais, principalmente os ossos, para análises científicas que ajudem a identificar a causa da morte e possíveis impactos da ação humana sobre a espécie.
Especialista aponta indícios de descarte de pesca
O caso foi comentado por Keyton Coelho, doutor em Biodiversidade e Biotecnologia e membro do Grupo de Monitoramento de Animais Aquáticos do Maranhão (Queamar). Em entrevista ao Portal Difusora News, ele explicou que a análise deve ser feita com cautela.
“Geralmente, quando um animal é encontrado morto em nossa orla ou em outro município, é necessário avaliar com cuidado o real motivo. Existem várias hipóteses, como predação por outro animal, descarte de pesca, pesca fantasma, ingestão de resíduos sólidos ou substâncias tóxicas”, afirmou.
Segundo o especialista, no entanto, os registros fotográficos indicam que o golfinho pode ter sido vítima de descarte de pesca. “Os cortes na cabeça, ao longo da coluna vertebral e a presença de restos de rede na nadadeira caudal apontam para essa possibilidade”, explicou.
Keyton Coelho destacou ainda que, quando a causa da morte não é evidente, o procedimento correto é recolher o animal e encaminhá-lo a um laboratório para necropsia, a fim de identificar com precisão o motivo do óbito.
Orientações à população
O pesquisador também fez um alerta à população que frequenta praias do estado.
“Caso encontrem um animal desse porte morto, não é recomendado tocar diretamente, pois eles podem estar contaminados por micro-organismos nocivos, como vírus e bactérias”, orientou.
A recomendação é acionar imediatamente os órgãos ambientais competentes, como a SEMMAM, a SEMA ou o Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão.
Tartaruga marinha em São Luís
Além do caso em Paulino Neves, uma tartaruga marinha também foi encontrada morta na manhã desta terça-feira (24) na Praia do Calhau, em São Luís. O animal foi localizado por um civil por volta das 7h50, que acionou as autoridades por meio do Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops).
Após o chamado, uma equipe policial foi enviada ao local para averiguar a ocorrência. A tartaruga foi recolhida e encaminhada ao BBMar, responsável pelos primeiros procedimentos após o resgate. Em seguida, o Projeto Queamar foi acionado para dar continuidade ao atendimento técnico e às análises do caso.
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