Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se manifestaram nesta quarta-feira (7) contra a decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, que anulou a abertura de uma sindicância do CFM (Conselho Federal de Medicina) e determinou que a PF (Polícia Federal) colha o depoimento do presidente da entidade.
A controvérsia começou após a divulgação de uma nota do CFM que questionava a assistência médica prestada a Bolsonaro depois da queda sofrida na Superintendência da Polícia Federal. Diante disso, o Conselho determinou, no início da tarde, que o CRM-DF (Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal) instaurasse uma sindicância para apurar se houve garantia de atendimento médico adequado ao paciente.
Horas depois, no entanto, Moraes anulou a instauração da sindicância, classificando a iniciativa como ilegal e afirmando que o CFM não tem competência para fiscalização nesse caso específico. Na decisão, o ministro também determinou que a PF ouça o presidente do CFM, o médico José Hiran da Silva Gallo, no prazo de até dez dias.
Parlamentares aliados de Bolsonaro classificaram a decisão como perseguição política.
O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que o ministro age de forma “negacionista” e criticou a demora na transferência do pai para um hospital, dizendo que a situação poderia ter se agravado.
Para ele, a nota do CFM evidenciava a necessidade de atendimento imediato após a queda do ex-presidente. Flávio também manifestou solidariedade ao presidente do Conselho.
“É INACEITÁVEL que Bolsonaro tenha sido levado a um hospital apenas 24 horas após o acidente! Graças a Deus não foi algo grave, mas e se fosse?”, escreveu o senador no X (antigo Twitter). “Bolsonaro poderia ter sido encontrado morto pela manhã!!! É essa a torcida de Moraes contra Bolsonaro???”, completou.
Alexandre de Moraes é NEGACIONISTA!
A nota do Conselho Federal de Medicina é óbvia ao dizer que a burocracia proposital – e paranóica – de Moraes não pode se sobrepor à medicina e ao cuidado com vida de um ser humano: alguém que bate com a cabeça num armário, em estado de… pic.twitter.com/DrSWvN3Ioc
— Flavio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) January 7, 2026
O deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) chamou Moraes de “ditador” e afirmou que o ministro atua com “abuso de poder”. Ele também questionou as atribuições do magistrado, dizendo que Moraes estaria acumulando os papéis de investigador, acusador, julgador e agora médico.
“Tudo isso após o CFM se manifestar em prol da saúde de um paciente brasileiro. Um idoso, condenado injustamente e alvo de tortura escancarada. Isso não é justiça, é vingança, é ditadura!”, escreveu Gayer no X.
MAIS UMA VIOLAÇÃO GRAVÍSSIMA À ORDEM CONSTITUCIONAL – Os tentáculos do ditador da toga invadem mais uma prerrogativa de maneira autoritária. Moraes proibiu, algo totalmente fora de suas competências, o Conselho Federal de Medicina, uma autarquia de cumprir, acreditem, sua função.…
— Gustavo Gayer (@GayerGus) January 7, 2026
Já o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) classificou Moraes como um “grande risco à democracia” e afirmou que apenas o Senado Federal poderia contê-lo, “mas nada faz”. Na mesma linha, o deputado e líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), ironizou a decisão ao questionar se o ministro “é médico”.
Grande risco a democracia! Onde já se viu um conselho de medicina querer fiscalizar médicos? Sinceramente… o único que poderia parar Moraes é o Senado, que nada faz. pic.twitter.com/10oFrbxsaK
— Nikolas Ferreira (@nikolas_dm) January 7, 2026
O senador Rogério Marinho (PL) disse que a decisão do ministro “escancara um padrão de perseguição que já não pode ser ignorado”.
Quem vigia o vigia?
A democracia não admite poder absoluto. Ninguém está acima da lei. Ao anular a sindicância do Conselho Federal de Medicina sobre o atendimento prestado ao presidente Jair Bolsonaro, o ministro Alexandre de Moraes ultrapassa limites e escancara um padrão de… pic.twitter.com/caBOU0JfxP
— Rogério Marinho🇧🇷 (@rogeriosmarinho) January 7, 2026
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