Os conservadores do partido do chanceler alemão Friedrich Merz consideram proibir o acesso de crianças menores de 16 anos às redes sociais.
Desde que a Austrália se tornou o primeiro país a proibir o uso de plataformas de redes sociais por crianças no ano passado, um número crescente de países na Europa adotou ou considerou medidas semelhantes devido a preocupações com os efeitos negativos percebidos do uso das redes sociais sobre os jovens.
Dennis Radtke, chefe da influente ala trabalhista do partido CDU (União Democrata-Cristã) de Merz, afirmou que os “desenvolvimentos dinâmicos nas mídias sociais” estavam superando a alfabetização midiática.
“Em muitos lugares, as redes sociais são um antro de ódio e notícias falsas. Portanto, saúdo a ideia de seguir o exemplo da Austrália e introduzir um limite de idade”, disse ele à Reuters.
No entanto, Johannes Schätzl, porta-voz para políticas digitais do SPD (Partido Social-Democrata), parceiro de coligação de centro-esquerda de Merz, afirmou que se oporia a uma proibição total, defendendo controles efetivos por parte das próprias plataformas.
Ele afirmou que, embora as redes sociais representem riscos para os jovens, também abrem oportunidades para participação e formação de opinião. Disse ainda que as plataformas de redes sociais precisam regulamentar seus modelos de negócios para oferecer proteção adequada aos jovens, com salvaguardas claras e proibições de sistemas agressivos de recomendação algorítmica para menores.
“Nesse contexto, não considero, no momento, eficaz uma proibição total do uso de redes sociais por menores de 16 anos”, disse ele à Reuters.
CDU discutirá idade mínima para uso de redes sociais em conferência do partido.
O jornal Bild informou que o partido CDU, do estado de Schleswig-Holstein, no norte da Alemanha, apresentou uma proposta que será debatida na conferência nacional do partido, nos dias 20 e 21 de fevereiro. O CDU é o maior partido da coligação governamental alemã, que também inclui o SPD.
“Uma idade mínima legal de 16 anos para plataformas abertas, acompanhada de verificação obrigatória da idade, estabelece um limite de proteção claro e leva em consideração as necessidades especiais de desenvolvimento dos jovens”, dizia a moção, segundo o jornal Bild.
O texto não especificava a quais plataformas as restrições poderiam se aplicar, mas mencionava o TikTok, bem como o Instagram (META.O) da Meta e o Facebook.
O jornal citou o secretário-geral da CDU, Carsten Linnemann, dizendo que apoiava a restrição de idade rigorosa.
“Sou a favor das redes sociais desde os 16 anos”, disse ele ao jornal.
“As crianças têm direito à infância. Devemos protegê-las do ódio, da violência, do crime e da desinformação manipuladora também no mundo digital. Nas redes sociais, elas são expostas a conteúdos que não conseguem classificar e processar”, afirmou.
Na Alemanha, tem havido um debate crescente sobre os potenciais efeitos negativos das redes sociais sobre as crianças, e o governo nomeou, no ano passado, uma comissão especial para analisar a proteção dos jovens contra possíveis danos online. Espera-se que essa comissão apresente seu relatório ainda este ano.
Thorsten Schmiege, chefe do órgão que reúne os reguladores de mídia em nível estadual, disse à Reuters que questões como cyberbullying, assédio sexual online e discurso de ódio estão sendo levadas muito a sério.
Segundo ele, as plataformas de mídia social precisam tomar medidas.
“Se as medidas voluntárias não forem suficientes, uma proibição como último recurso entra em consideração”, disse ele.




