Alabama: Presos do Sistema – Indicado ao Oscar Revela a Podridão do Sistema Carcerário nos EUA

Alabama: Presos do Sistema – Indicado ao Oscar Revela a Podridão do Sistema Carcerário nos EUA

Faltam poucos dias para a cerimônia do Oscar 2026! E é justamente nessa reta final que a maioria de nós, cinéfilos, acaba dando um jeito de encontrar tempo para ver a muitos dos indicados ao prêmio. Tirando os favoritos e as categorias mais badaladas (e o nosso representante brasileiro, ‘O ‘), é legal também esticar o olho para outras categorias, que ganham menos espaço de mídia. É o caso dos indicados a Melhor , os quais muitos sequer chegam a ser exibidos no Brasil. Felizmente este ano o cinéfilo poderá conferir ao menos um dentre estes indicados: o documentárioAlabama: Presos do Sistema‘, disponível aos assinantes da plataforma da .

Gravado boa parte de maneira clandestina (uma vez que, obviamente, não é permitido câmeras dentro dos presídios, mas a produção conseguiu imagens dos locais graças aos celulares contrabandeados para dentro das celas e enviados pelos próprios detentos), já quase no final do longa um dos detentos confessa: as imagens feitas ali dentro só foram possível graças ao fato de eles (os detentos) terem decidido quebrar as regras. Só que é mais que isso: ao realizar as próprias imagens e enviá-las para fora do confinamento, todos os participantes conseguiram quebrar o sistema de narrativa única dos fatos, mostrando, sem ressalvas, a verdade do que acontece nos presídios dos Estados Unidos – e, mais especificamente, no cárcere do estado do Alabama, que é onde tudo começa.

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Ao longo de quase duas horas o filme de Charlotte Kaufman e Andrew Jerecki parte de uma denúncia aparentemente simples, embora grave – o espancamento de um detento, por parte dos carcereiros, sem explicações e que levou o detento a um coma profundo, resultando, posteriormente em sua . A partir desse episódio, os relatos e o filme vão desmembrando a sequência de absurdos surreais que fazem parte do cotidiano de quem vive nesse confinamento, mas que não chega aos ouvidos da sociedade por um sistema que abafa as vozes das partes vulneráveis da pirâmide social. Sem serem ouvidos nem vistos, quem se importará(ia) com o que se passa dentro daqueles muros? Este é o questionamento pautado silenciosamente em ‘Alabama: Presos do Sistema‘.

Os diretores-roteiristas fizeram um bom trabalho de levantamento de material para corroborar os corajosamente colhidos e as apresentadas. De maneira organizada, demonstra como a partir de uma injustiça outras e mais outras ocorrem sistematicamente nos presídios do Alabama, o que faz com que as famílias do lado de fora fiquem às cegas sobre o que acontece com seus entes queridos e também faz com que muitos detentos busquem alternativas para si mesmos – como, por exemplo, estudar Direito, numa tentativa de se defender melhor e entender como funciona o sistema. Mesmo assim, o documentário também salienta a desesperança em, apesar da dedicação, estes mesmos detentos terem suas apelações negadas.

Dentre tanto desalento, o documentário foi feliz em conseguir registrar uma ponta de luz no fim do túnel: a insurreição interna que uniu todos os presídios do Alabama em uma generalizada reivindicando melhorias para os detentos, que pararam de trabalhar.

Corajoso, posto que num país onde não se pode falar de suas próprias falhas sociais, ‘Alabama: Presos do Sistema‘ expõe a degradação cívica onde uma sociedade é capaz de causar a desumanização de seus pares em um ambiente controlado e longe dos olhos do povo. Talvez não ganhe o Oscar, mas o fato de ter chegado tão longe numa premiação tão importante, já sinaliza que o importante aqui é a denúncia – e, quanto mais gente assistir, mais chances de mudar a sociedade e o sistema.

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Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.

Fonte: CINEPOP

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