Agricultores franceses levaram tratores até Paris, nesta terça-feira (13), pela segunda vez em uma semana para protestar contra o acordo comercial UE-Mercosul, que, segundo eles, ameaça a agricultura local ao criar concorrência desleal com as importações sul-americanas mais baratas.
Os agricultores da França, o maior produtor agrícola da União Europeia, e de outros Estados-membros vêm protestando há meses contra o acordo UE-Mercosul e diversas reivindicações locais.
A manifestação desta terça-feira foi organizada pela FNSEA, principal sindicato de agricultores da França. Outra central sindical, a Coordenação Rural, já havia levado tratores até a Torre Eiffel e o Arco do Triunfo na quinta-feira (8) passada, em uma manifestação surpresa.
A polícia de Paris estimou a presença de cerca de 350 tratores na manifestação desta terça-feira. Um comboio de tratores convergiu novamente para o Arco do Triunfo, enquanto outro chegou em frente ao prédio do Parlamento francês.
“O acordo com o Mercosul foi aprovado mesmo sem a participação do Parlamento Europeu. Isso levará à importação de produtos estrangeiros que somos perfeitamente capazes de produzir na França e que não respeitam os padrões impostos à agricultura francesa”, afirmou Damien Greffin, vice-presidente da FNSEA e agricultor da região de Paris.
Greffin afirmou que, além do protesto em frente ao Parlamento francês, eles também planejavam se manifestar no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, no dia 20 de janeiro.
A aprovação do acordo Mercosul pela maioria dos Estados-membros da UE na sexta-feira (9), apesar da rejeição da França, intensificou a pressão sobre o governo por parte de agricultores e partidos da oposição, alguns dos quais apresentaram moções de censura.
“A agricultura está passando por uma crise sem precedentes e precisamos fazer com que nossa voz seja ouvida”, disse Guillaume Lefort, agricultor da região de Seine-et-Marne, em Paris, segurando uma bandeira da FNSEA em frente ao prédio da Assembleia Nacional.




