Bairros que já concentraram grande parte do comércio e de serviços de São Luís, como Monte Castelo e São Francisco, têm enfrentado um processo de evasão gradual ao longo das últimas décadas. A expansão urbana da capital maranhense e o surgimento de novos polos comerciais, especialmente com a chegada de shoppings centers, contribuíram para a descentralização das atividades econômicas na cidade.
Um vídeo compartilhado nas redes sociais chamou a atenção ao mostras prédios que já foram rentáveis comercialmente, atualmente estão fechados, deixados ou simplesmente abandonados.
Considerada uma metrópole com 1.037.775 habitantes, segundo o Censo 2022 do IBGE, São Luís passou por transformações que levaram parte da população e do comércio a migrar para novos bairros e regiões. (A aprovação da Lei nº 13.089, de 12 de janeiro de 2015, considera o Estatuto da Metrópole)
Um dos fatores que impulsionaram esse movimento de “descentralização” foi a instalação de shoppings centers, que passaram a concentrar serviços, comércio e lazer. Ao redor desses empreendimentos formaram-se ‘novos polos comerciais’, que influenciaram novos hábitos de consumo, moradia e costumes da população.
A região metropolitana de São Luís conta com oito shoppings centers, que funcionam como áreas de forte centralidade econômica, reunindo grande fluxo de consumidores e atraindo novos investimentos.
Esse fenômeno tem sido observado de forma mais evidente nos bairros Monte Castelo e São Francisco, que tentam sobreviver às mudanças culturais e comerciais da Grande Ilha.
De acordo com o doutor em Geografia Luiz Eduardo Neves, o processo de descentralização começou a ganhar força entre as décadas de 80 e 90, quando houve a expansão urbana para áreas além dos rios Anil e Bacanga. Através da construção das pontes José Sarney e Bandeira Tribuzzi, que passaram a interligar o centro da capital a outras regiões da cidade, como os bairros São Francisco e Ipase.
Antes desse período de expansão, o Monte Castelo foi considerado um dos primeiros eixos comerciais da cidade. A partir da década de 40, com a criação da Avenida Getúlio Vargas, o bairro recebeu construções impactantes para a época, como o Cine Monte Castelo, o CEFET — atualmente IFMA — além de clínicas, hospitais e residências.
No entanto, a partir dos anos 2000, o bairro começou a enfrentar um processo de decadência de sua estrutura e importância comercial. “Uma das explicações é a tendência dos empresários e investidores darem preferência a salas comerciais em outras áreas. Assim, alguns estabelecimentos passam a se desvalorizar em relação ao valor do solo urbano, no entanto o bairro ainda possui serviços importantes, como hospitais, clínicas e escolas. Hoje, ele não é um bairro comercial como o João Paulo, por exemplo. Também não possui verticalização significativa nem tantos serviços considerados essenciais que atraiam fluxo intenso de comércio e moradia”, explica o professor.
O bairro do São Francisco apresenta uma dinâmica semelhante. A região ganhou maior movimentação a partir dos anos 80, com a interligação viária. Foi o primeiro bairro a passar pelo processo de verticalização na cidade ao apresentar apartamentos e prédios, salas comerciais, estando na vanguarda urbana ao se modernizar, antes da consolidação comercial do bairro Renascença.
Com o passar do tempo, no entanto, o São Francisco perdeu parte de sua importância ao ser engolido por áreas que concentraram novos investimentos, como o próprio Renascença, que abriga dois shoppings centers, além da região do Jaracaty, onde também foi implantado outro shopping. Desta forma, suas construções e serviços também perdem um valor comercial e de solo.
“O São Francisco ainda possui serviços e comércios como hotéis e salas comerciais, mas perdeu parte de sua relevância porque, ao longo do século XX, novas áreas da cidade também começaram a se desenvolver”, afirma Luiz Eduardo Neves.
Na geografia urbana, esse processo está relacionado à formação de múltiplos centros de atividade comerciais dentro das cidades. Em vez de um único núcleo comercial dominante, surgem diferentes polos com características e identidades próprias, com vários territórios desenvolvendo dinâmicas específicas de serviços, comércio e moradia, atendendo a diferentes perfis de público.














