O recuo no preço do petróleo, após sinalizações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que trouxeram alívio em relação à guerra com Irã, reduziu momentaneamente a pressão sobre a Petrobras.
Na terça-feira (10), os contratos futuros mais líquidos do Brent – referência internacional negociada na ICE (International Commodities Exchange) fecharam em queda de 11,28%, chegando a US$ 87,80 o barril. Já o petróleo WTI (West Texas Intermediate) – referência no mercado norte-americano – caiu 11,94%, a US$ 83,45 o barril.
A avaliação de analistas consultados pelo CNN Money é que esse recuo ajuda a Petrobras a segurar a necessidade de reajuste dos combustíveis no mercado interno, como o diesel e a gasolina.
“Após a disparada do Brent acima de US$ 100 com a escalada geopolítica, a queda ao longo do dia diminuiu o prêmio de risco incorporado nos preços e, consequentemente, a urgência de repasse para diesel e gasolina no Brasil”, aponta Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.
Defasagem ainda é ponto de atenção
Entretanto, a Petrobras continua pressionada por conta da defasagem dos valores cobrados no país em relação aos preços internacionais, especialmente no diesel.
Segundo dados da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), a defasagem média no preço do combustível chegou a R$ 1,78, enquanto a diferença média no preço da gasolina chegou a R$ 0,82.
O presidente da Abicom, Sergio Araújo, avalia que a maior preocupação é o baixo número de contratação de carga na última semana.
Ele aponta que caso o preço do petróleo não se regularize ou a Petrobras não ajuste o preço no mercado interno, os efeitos podem começar a ser sentidos nos próximos vinte dias.
Jucelia Lisboa, economista da Siegen Consultoria, afirma que o recuo pontual do petróleo talvez ajude a aliviar a pressão imediata, mas que não elimina os efeitos estruturais e de risco trazidos pela guerra.
“Teremos que aguardar os próximos fatos para mensurar o real impacto”, pontua.
O coro sobre a dificuldade de manter os preços internos controlados enquanto a guerra estoura também veio do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB).
Em entrevista à TV Brasil na noite de terça-feira (10), Alckmin argumentou que “são preços estabelecidos em geopolítica. Embora a gente seja exportador de petróleo bruto, a gente importa derivado”.
Ainda assim, a Petrobras tem reforçado sua política de preços que visa evitar o repasse de volatilidades externas ao consumidor brasileiro.
“Em um cenário em que guerras e tensões geopolíticas ampliam a volatilidade do mercado internacional de energia, a Petrobras reafirma seu compromisso com a mitigação desses efeitos sobre o Brasil”, diz nota da estatal de segunda-feira.
“Isso é possível porque passamos a considerar em nossa estratégia comercial as nossas melhores condições de refino e logística, o que nos permite promover períodos de estabilidade nos preços ao mesmo tempo que resguarda a nossa rentabilidade de maneira sustentável”, afirma a petroleira.
“Essa abordagem reduz a transmissão imediata das variações internacionais para o mercado brasileiro, garantindo maior previsibilidade e segurança, protegendo nossos clientes de oscilações abruptas que se originam fora do país”, conclui.
Enquanto isso, o governo escalou um time no Ministério de Minas e Energia que irá focar no monitoramento de petróleo após intensificação da guerra.




