O avanço das voçorocas continua provocando medo e prejuízos em Buriticupu, município localizado a cerca de 414 quilômetros de São Luís. As grandes crateras abertas no solo, intensificadas pelas chuvas e pelas características arenosas do terreno, seguem ampliando os danos na cidade, engolindo ruas, comprometendo estruturas e ameaçando casas.
O fenômeno não é recente. As primeiras erosões desse tipo começaram a surgir há aproximadamente quatro décadas e, desde então, se expandiram gradualmente. As voçorocas são formadas quando a água da chuva escava o terreno e cria grandes fendas, processo que se agrava em áreas com pouca cobertura vegetal. Levantamentos de pesquisadores indicam que o município já possui cerca de 33 crateras, que alteraram a paisagem urbana e, em alguns momentos, provocam desmoronamentos capazes de gerar tremores percebidos pelos moradores.
Especialistas apontam que a expansão desordenada da cidade contribui para o agravamento do problema. Em muitos bairros, a pavimentação foi realizada sem sistemas adequados de drenagem, o que acaba direcionando o volume de água das chuvas para encostas e pontos frágeis do solo. O resultado é o avanço acelerado das erosões, que já apagaram trechos de ruas inteiras do mapa urbano.
Em áreas consideradas críticas, as crateras se aproximam rapidamente das residências. Em um dos pontos monitorados, a erosão avançou cerca de 18 metros apenas no último ano, destruindo parte de uma via pública. Moradores relatam mudanças drásticas ao longo do tempo: em um dos casos, a distância entre uma casa e a voçoroca, que era de cerca de 500 metros há dez anos, hoje é de apenas 13 metros.
A insegurança faz parte da rotina de quem vive próximo às áreas afetadas. Muitos moradores relatam dificuldade para dormir com medo de novos deslizamentos durante a noite. Ao longo dos anos, o avanço das crateras já foi associado a pelo menos sete mortes e à destruição de diversas moradias na cidade.
O impacto social também é significativo. Centenas de famílias já foram afetadas direta ou indiretamente pelas erosões e parte delas precisou abandonar suas casas. Em alguns pontos da cidade, bairros inteiros convivem com áreas isoladas ou com residências abandonadas devido ao risco de desabamento.
Diante da gravidade da situação, a Justiça determinou que a Prefeitura de Buriticupu apresente um plano de ação com medidas emergenciais. Entre as determinações estão o isolamento e a sinalização das áreas de risco, atualização do cadastro das famílias que vivem próximas às crateras, concessão de aluguel social para moradores ameaçados e a apresentação de um plano detalhado de obras de contenção das voçorocas.
Enquanto as medidas definitivas não saem do papel, moradores seguem convivendo com o avanço das crateras e aguardam soluções estruturais que possam conter a erosão e garantir moradia segura para as famílias afetadas.
Fonte: O Imparcial



