A atriz Rosanna Arquette, que integrou o elenco do clássico ‘Pulp Fiction: Tempo de Violência‘ no papel de Jody, surpreendeu recentemente ao criticar publicamente o diretor Quentin Tarantino. Embora reconheça o impacto cultural da obra, Arquette condenou o uso recorrente de termos racistas nos roteiros do cineasta.
De acordo com o portal World of Reel, a atriz afirmou que, apesar de o filme ser “icônico” e “excelente” em muitos aspectos, ela abomina a presença da “N-word” (termo racista em inglês) e o fato de o diretor ter recebido o que ela chama de um “passe livre” da indústria.
“É icônico, um grande filme em muitos aspectos, mas pessoalmente estou cansada do uso da N-word (termo racista em ingles), eu odeio isso. Não suporto que ele [Tarantino] tenha recebido um passe livre. Isso não é arte, é apenas racista e perturbador”, declarou Arquette.
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O uso dessa linguagem nos filmes de Tarantino é motivo de debate há décadas. O ápice da controvérsia ocorreu em 2012, com o lançamento de ‘Django Livre’. Na época, o longa foi criticado por utilizar o termo mais de 110 vezes.
Um dos críticos mais vocais foi o diretor Spike Lee, que se recusou a assistir à produção: “Isso é desrespeitoso com meus ancestrais. Essa é apenas a minha opinião”, disse Lee na época. “Não estou falando em nome de mais ninguém”.
O cineasta já havia confrontado Tarantino anos antes, após o lançamento de ‘Jackie Brown’: “Tenho um problema claro com o uso excessivo da N-word por Quentin Tarantino. E que fique registrado que nunca disse que ele não pode usar essa palavra, eu mesmo já usei em muitos dos meus filmes, mas acho que há algo errado com ele”.
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Tarantino, por sua vez, sempre manteve sua posição e nunca pediu desculpas pelas escolhas de roteiro. Em 2013, o diretor afirmou: “Eles acham que eu deveria suavizar, que eu deveria mentir, que eu deveria amenizar. Eu nunca faria isso quando se trata dos meus personagens.
Nenhuma crítica social dirigida a mim mudou uma única palavra de qualquer roteiro ou história que conto. Eu acredito no que faço de forma total e apaixonada. Meu trabalho é ignorar isso”.
O diretor encontra um aliado fiel em Samuel L. Jackson, veterano de oito filmes de Tarantino, que defende a crueza dos diálogos como uma forma de realismo.
“Isso é besteira… Você não pode simplesmente dizer a um roteirista que ele não pode escrever as palavras que as pessoas realmente diriam. Senão tudo se torna falso. Não há desonestidade em nada que Quentin escreve ou na forma como as pessoas falam, sentem ou se expressam [nos filmes dele]”, argumentou o ator em 2019.
‘Pulp Fiction: Tempo de Violência’ está disponível no catálogo da Netflix.
Fonte: CINEPOP




