Pete Docter, diretor criativo da Pixar, comentou recentemente sobre os bastidores da animação ‘Elio’, abordando rumores de que o estúdio teria interferido no projeto para reduzir a pauta ambiental e descartar a subtrama que retrataria o protagonista como um personagem queer.
“Estamos fazendo um filme, não centenas de milhões de dólares em terapia”, afirmou Docter. A frase parece ser uma referência direta ao desejo do diretor original, Adrian Molina, que é abertamente gay, de explorar suas próprias experiências de infância através do personagem.
Reportagens confirmam que uma cena importante foi cortada: nela, uma versão futura de Elio aparecia criando uma criança ao lado de um parceiro masculino.
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Segundo o texto, a prioridade de Docter é produzir filmes de “apelo universal”, priorizando histórias abrangentes em vez de narrativas semiautobiográficas guiadas estritamente pela visão pessoal dos diretores.
“Com o passar do tempo, percebi que meu trabalho é garantir que os filmes agradem a todos. Se vamos simplesmente produzir lixo, então é melhor fechar as portas. Prefiro morrer tentando fazer algo em que realmente acreditamos”, declarou o executivo.
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Antes do lançamento, a liderança da Pixar modificou drasticamente o longa. Fontes internas revelam que uma cena mostrava Elio recolhendo lixo na praia para transformá-lo em roupas artesanais, incluindo uma regata rosa que serviria como uma codificação queer do personagem, refletindo a identidade de Molina.
Embora Molina não planejasse uma história de saída do armário, dado que o protagonista tem apenas 11 anos, o personagem foi tornado “mais masculino” após feedbacks da diretoria. Elementos como seu interesse por moda e ambientalismo foram removidos, assim como qualquer indício de um interesse amoroso masculino.
Na versão final, Elio continua usando roupas feitas de materiais reciclados, mas sem a explicação contextual original.
Essas divergências criativas teriam deixado Molina descontente, resultando em sua substituição pelas codiretoras Madeline Sharafian e Domee Shi. Embora tenha recebido a opção de permanecer no projeto como codiretor, Molina optou por sair à medida que sua visão original era descaracterizada.
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Apesar das alterações visando o “apelo universal”, Elio não obteve o sucesso esperado nas bilheterias, encerrando sua exibição com apenas US$ 154 milhões arrecadados mundialmente.
“Elio, um azarão com uma imaginação fértil, se vê inadvertidamente teletransportado para o Comuniverso, uma organização interplanetária com representantes de galáxias distantes. Identificado erroneamente como embaixador da Terra para o resto do universo, ele começa a formar novos laços com alienígenas excêntricos enquanto descobre quem ele realmente deveria ser”, diz a sinopse.
‘Elio’ já está disponível no Disney+.
Fonte: CINEPOP




