Mulheres que transformam São Luís

Mulheres que transformam São Luís

O 8 de março é mais do que uma data simbólica no calendário. É um dia de memória, de reflexão e, principalmente, de reconhecimento. Em São Luís, mulheres seguem transformando a cidade todos os dias. São trajetórias que falam de resistência, reinvenção e coragem.

Educação como instrumento de mudança
Desde , Eva Meneses sabia que queria ensinar. Hoje professora de Sociologia da rede estadual do Maranhão e docente na escola Maria Mônica Vale, no bairro Vinhais, ela dedica sua vida à formação crítica de estudantes.

Com 16 anos de experiência na educação, Eva também coordena o Núcleo de Educação Antirracista e Direitos Humanos (NEADH) da escola, desenvolvendo projetos que estimulam reflexões sobre desigualdade, , gênero e cidadania.

Eva Meneses é professora de Sociologia. (Divulgação)

A convicção de que o pode mudar vidas nasceu ainda durante sua formação acadêmica. “Sempre quis ser professora, desde criança. Achava mágica esse dom de ensinar alguém. Quando comecei minha experiência docente, percebi que não poderia ser apenas alguém que repassa um conteúdo, mas uma educadora que transforma a realidade dos estudantes pelo conhecimento crítico, mas que também se transforma a cada experiência e vivência”, afirma.

Na escola, a sociologia se torna um espaço para debates fundamentais sobre a sociedade brasileira e as desigualdades que atravessam a vida dos estudantes. “A educação é fundamental para que possamos superar toda forma de exclusão, de preconceito e de desigualdade. Não vejo outra via para nós, mulheres e meninas que nasceram em famílias sem muitas condições econômicas conquistar lugares de e relevância transformadora se não for pela educação. É a riqueza que ninguém nos rouba, como dizia minha mãe”, destaca.

As discussões aparecem no cotidiano escolar

O impacto dessas discussões aparece no cotidiano escolar. Segundo a professora, os estudantes passam a demonstrar mais empatia e consciência social. “Diariamente vemos os frutos, tanto das discussões em sala de aula, como também dos projetos integradores. Desde a redução de práticas racistas, maior engajamento em pautas sensíveis, como a questão racial e causas LGBTQIAPN+, inclusão, empatia, questões envolvendo a valorização das mulheres e o combate à violência”, relata.

Além das aulas, Eva também orienta o MônicaNews, um jornal laboratório criado por estudantes da escola dentro de um clube de jornalismo. A iniciativa estimula o protagonismo juvenil e amplia o espaço de expressão para jovens, especialmente meninas. “Incentivar meninas a falarem significa romper com esse padrão histórico. Quando jovens e, especialmente meninas falam, a sociedade escuta experiências que antes eram invisibilizadas”, afirma.

Empreender para inspirar
Lika Guterres é empresária há 28 anos e construiu sua trajetória com persistência e visão. Administradora de formação e estudante de Serviço Social, ela iniciou a carreira com um salão na Cidade Operária e, depois, decidiu ocupar o Centro Histórico de São Luís, onde atua há duas .

Instalada atualmente na Rua de , no salão de beleza “Pedra Rara” ela consolidou seu espaço como referência na estética afro e na moda. O empreendimento nasceu da necessidade de sustento, mas rapidamente se tornou também um espaço de valorização da identidade negra. “Comecei vindo da beleza afro, estética e moda por questão de necessidade, primeiro de autossustento e também para trabalhar na questão da autoestima da mulher preta”, explica.

Lika Guterres é empresária há 28 anos e construiu sua trajetória com persistência e visão. (Divulgação)

Ao longo da trajetória, Lika ampliou seu trabalho para além da estética. Ofereceu cursos de trança e costura para mulheres em situação de vulnerabilidade, desenvolveu ações sociais e passou a confeccionar figurinos para artistas locais. Sua atuação sempre esteve ligada à valorização da autoestima feminina.

Apesar da importância do trabalho, o caminho do empreendedorismo nunca foi fácil. Lika relata que enfrentou preconceito e dificuldades estruturais para manter o negócio funcionando. “Empreender no Centro Histórico, ainda mais o empreendimento de negro, não é fácil. Principalmente por causa da questão de valores de aluguéis. Se manter lá já é complicado”, afirma. Mas para ela, ocupar o Centro Histórico é um ato político. “Quando eu insisto em estar ali, sirvo de exemplo para outras mulheres pretas. Mostro que é possível”.

Mais do que administrar um negócio, ela construiu autonomia. Lika saiu de uma situação de violência doméstica e encontrou no ofício a independência financeira que mudou sua história. Criou as filhas, conquistou casa própria e consolidou sua marca. “Tudo que consegui foi com meu ofício, insistindo, persistindo e acreditando”, diz.

Neste 8 de março, sua mensagem é de união. “Precisamos resgatar a rede de apoio. No quilombo, o filho de uma é filho de todas. Precisamos pegar na mão umas das outras e não soltar”.

Reinventar-se em qualquer fase da vida

Aos 64 anos, Graciete do Carmo prova que nunca é tarde para começar algo novo. Moradora do Parque Timbira, aposentada, ela encontrou no crochê e no macramê uma nova forma de complementar a e manter a autonomia financeira.

Graciete do Carmo encontrou no crochê e no macramê uma nova forma de complementar a renda
A história começou durante a pandemia. Sozinha em casa enquanto a filha trabalhava, decidiu aprender macramê. Depois veio o crochê. Com a sua marca “Graçame”, o que era passatempo virou oportunidade.

Graciete do Carmo encontrou no crochê e no macramê uma nova forma de complementar a renda. (Divulgação)

Antes disso, Graciete já havia demonstrado seu espírito empreendedor. “Eu sempre fui uma mulher empreendedora. Vendia churrasco, minha fonte de renda. Tudo que eu conquistei foi com churrasco. Criei minha filha, formei minha filha em administração e hoje ela trabalha”, relata. 

Hoje, produz , vestidos, saídas de praia e peças sob encomenda. Trabalha de casa, no próprio ritmo, e vê o crochê como sua conquista. Os desafios estão na venda e na divulgação, mas ela segue persistente. O sonho é abrir uma pequena loja ou ampliar as vendas em outros espaços da cidade. “Não é fácil, mas também não é impossível. O importante é nunca desistir.”

Mais que celebração, um chamado à reflexão

Para Eva Meneses, o Dia Internacional da Mulher deve ser também um momento de reflexão sobre os desafios que ainda persistem. “O Maranhão apresenta índices preocupantes de violência de gênero. Em São Luís, é urgente refletir sobre violência doméstica, , violência psicológica e assédio em espaços públicos e no transporte coletivo”, alerta.

Apesar disso, acredita que as mulheres têm ampliado sua presença na educação, na cultura e nos movimentos sociais da cidade. “As mulheres mantêm vivas tradições culturais nas periferias, atuam como mestras da cultura popular, são produtoras culturais, escritoras e artistas e lideram movimentos culturais comunitários. Elas são fundamentais na preservação da identidade cultural ludovicense”, afirma.

Fonte: O Imparcial

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