MASP apresenta primeira retrospectiva de Sandra Gamarra Heshiki

MASP apresenta primeira retrospectiva de Sandra Gamarra Heshiki

MASP — Museu de Arte de apresenta, de 6 de março a 7 de junho, a primeira panorâmica de Sandra Gamarra Heshiki. A mostra Sandra Gamarra Heshiki: réplica reúne mais de 70 obras, entre pinturas, esculturas, instalações e vídeo, propondo uma retrospectiva dos últimos 25 anos de uma produção que ressignifica obras de arte e objetos para contestar o sistema artístico e a herança colonial que permeia os museus.

A curadoria é de Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP; Florencia Portocarrero, curadora independente; Guilherme Giufrida, curador assistente, MASP; e Sharon Lerner, diretora artística do MALI — Museo de Arte de Lima, instituição parceira na organização e que exibirá a mostra, em versão adaptada, após sua apresentação no MASP.

Em suas obras, a artista questiona o papel dos espaços culturais e como suas práticas impactam a produção artística. Essa crítica institucional motivou a criação, em 2002, do museu fictício LiMac — Museo de Arte Contemporáneo de Lima. Esse museu imaginário, que existe como arquivo em um website, respondia tanto à ausência de um museu de arte contemporânea em Lima na época quanto ao modo como muitas instituições ainda contam a história a partir de um ponto de vista de matriz europeia.

“Se o museu é um lugar a partir do qual a história é ditada, por que não criar um museu que, sob o mesmo manto de autoridade e permanência institucional, conte uma história diferente? Um museu que possa olhar para si mesmo, questionar-se, complexificar suas próprias narrativas e contar mais do que histórias de progressão linear”, afirma Gamarra.

Para evidenciar como a história da arte é construída por meio de recortes, exclusões e hierarquias, a cronologia clássica é intencionalmente plagiada nessa exposição. “Em Réplica, Gamarra reflete, literalmente, o espaço, sobretudo a cronologia dos museus enciclopédicos, a matriz linear da história tão criticada por Lina Bo Bardi, mas que de algum modo é hegemônica no modelo de organização dos museus, tanto nas metrópoles como em suas ex-colônias. Assim, a artista produz aqui sua réplica de uma exposição de parte de seu acervo-obra, convertendo-o em um museu com seus fragmentos e aglutinando marcadores destrinchados por toda a sua carreira”, afirma Giufrida.

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Assim, em Réplica, as obras de Gamarra são apresentadas nos núcleos: “pré‑colonial”, “colonial”, “pós‑independência”, “moderno” e “contemporâneo”, além de uma sala dedicada ao LiMac.

A produção de réplicas para ressignificar cânones da arte, subverter discursos colonizadores e resistir a estruturas excludentes é central na obra de Gamarra. Em Recurso VII (2019), a artista parte das paisagens aparentemente pacíficas de pintadas por Frans Post (Haarlem, Países Baixos, 1612–1680) durante missões europeias no Brasil. Na versão da artista, esses cenários são recriados com óxido de ferro, matéria-prima usada por povos originários nas Américas em pinturas rupestres e cerâmicas. Além de reverenciar essas culturas ancestrais, o material vermelho escorre pela tela remetendo ao sangue e à violência da colonização. A pintura também tem uma faixa branca, elemento usado pela artista para diferenciar suas réplicas das obras originais.

Esse recurso também está presente em Duplo (2023). Ao saber que a obra Habitante de las cordilleras del Perú [Habitante das cordilheiras do Peru] (1855), de Francisco Laso (Tacna, Peru, 1823 – San Mateo, Peru, 1869) não viria para a exposição por problemas burocráticos em seu país, a artista produziu sua própria réplica para preencher essa ausência. A obra, porém, não é uma cópia idêntica. Além da faixa branca, Gamarra apresenta a figura de Laso invertida, de cabeça para baixo. Essa alteração é um exemplo direto de seu projeto de “inverter o museu” e se conecta ao conceito de Pachakuti, termo de andina que pode ser traduzido como “o mundo de cabeça para baixo”, referindo-se a transformações radicais na ordem existente.

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Sobre a artista

Sandra Gamarra Heshiki nasceu em Lima, em 1972, e atualmente vive e trabalha em Madri. É descendente de famílias com raízes andinas, afro-peruanas e japonesas. Formou-se em pintura pela Pontificia Universidad Católica del Perú e, desde o final dos anos 1990, desenvolve uma prática que articula, principalmente, pintura, crítica institucional e pensamento decolonial. É a primeira artista não nascida na a representar o país na Bienal de Veneza, na 60ª edição do evento, em 2024, quando apresentou o projeto Pinacoteca Migrante. Além do MASP, sua obra também integra coleções como MoMA (Nova York), Tate Modern (Londres), Museo Reina Sofía (Madri), MALI (Lima), entre outros.

Onde? Edifício Lina Bo Bardi, 1º andar — Paulista, 1578 – Bela Vista, São Paulo (SP).

Quando? De 6 de março a 7 de junho.

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Quanto? R$ 85 (entrada); R$ 42 (meia-entrada). Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos.

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