Crítica: “Pânico 7” é uma carta de ódio contra a franquia

Crítica: “Pânico 7” é uma carta de ódio contra a franquia

AVISO: Este texto contém spoilers do “Pânico 7”. Caso você tenha interesse em assistir a obra e não queira detalhes acerca, leia em outro momento.

Há uma sequência de cenas em Pânico 7 que resume perfeitamente o desastre: Ghostface persegue a nova final girl em potencial, Tatum Evans (), pelas ruas de Pine Grove. Com o toque de recolher instaurado pela cidade, os gritos de Tatum são inúteis.

Por quê? Porque todos os habitantes da cidade devem estar ocupados demais olhando para seus próprios celulares, assistindo a vídeos de gatinhos ou lendo notícias sobre como este filme é ruim. É uma metáfora acidental, mas dolorosamente precisa, do estado atual da franquia: um grito de socorro que ninguém mais aguenta ouvir.

A produção de Pânico 7 foi, como todos sabemos, um “pesadelo” (palavras do ex-diretor , que abandonou o projeto em 2023). Mas o resultado final não é apenas um filme ruim; é um ato de vandalismo cinematográfico – e assim, entregaram a chave da loja para Kevin Williamson, um homem que claramente ama o cheiro de nostalgia pela manhã, mesmo que ela tenha o aroma de mofo.

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A Síndrome de Estocolmo de Sidney Prescott

O retorno de Neve Campbell como Sidney Prescott (agora Sidney Evans, porque aparentemente a it girl dos anos 90 vive uma vida pacata pós abrir uma cafeteria e se escondendo de psicopatas) é tratado com uma reverência que beira o culto religioso. Há closes dramáticos em objetos que deveriam ser apenas adereços, como se a jaqueta de couro original de Prescott de 1996 fosse o “Santo Graal”.

Mas a personagem em si? Ela é uma casca vazia. Williamson nos pede para acreditar que Sidney, a mulher que sobreviveu a múltiplos massacres, agora é uma mãe superprotetora que tenta esconder o passado sombrio (gravado em filmes, disponível em livros) de sua filha mais velha, Tatum.

A dinâmica é tão clichê e tediosa que parece ter sido roteirizada por qualquer com um prompt mal especificado. Tatum é uma adolescente mimada e irritante que, ao invés de ser uma final girl carismática, age como o cachorrinho assustado que a franquia costumava zombar e nem quando finalmente se encontra como “a filha de Sidney Prescott”, você consegue criar afeto pela personagem. O desperdício de em um papel secundário é, por si só, um crime contra o .

E onde está Patrick Dempsey como Mark Kincaid, o marido de Sidney? Negociações mal sucedidas por“conflitos de agenda”. O filme nos entrega Joel McHale em seu lugar, fazendo uma imitação barata de um xerife preocupado em uma troca tão gritante quanto substituir Coca-Cola por Dolly Guaraná.

Será que realmente vale atender as exigências de Neve Campbell para dar vida para a saudosa personagem enquanto as verdadeiras vítimas se tornam os telespectadores?

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IA: a nova desculpa para a preguiça crítica

Mas o verdadeiro crime contra a humanidade (e contra o horror/slasher) é o uso de inteligência artificial na trama. Ghostface agora usa deepfakes e sintetização de voz para ressuscitar fantasmas do passado de Sidney – sim, você leu certo. O filme invoca os mortos para aterrorizar Sidney, sua família e ciclo social.

Vemos versões digitalmente envelhecidas (e francamente assustadoras, mas não do jeito que se deveria ser em um filme de ) de personagens que foram brutalmente assassinados nos filmes anteriores. Eles aparecem como ameaças ou, pior, como flashbacks interativos ao vermos de exemplo o retorno de Matthew Lillard como Stu Macher apenas para ser um verdadeiro pé no saco com o péssimo Ghostface – que eu até poderia escrever sobre, mas é tão irrelevante que não merece tal espaço – usando sua especialização em IAs para deixar a mente perturbada de Prescott confusa.

É uma artimanha que não apenas quebra a pouca lógica interna que a franquia ainda tinha, mas também é visualmente ridícula. É como assistir a um episódio de Scooby-Doo onde o vilão é um holograma mal renderizado.

O terceiro ato, que depende inteiramente dessa bobagem tecnológica, é tão catastrófico que eu me senti envergonhado por estar assistindo.

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Pânico costumava ser sobre subverter tropos do terror, e Pânico 7 é sobre implorar para que eles continuem existindo de uma forma hipócrita e desrespeitosa. O filme troca a metalinguagem afiada por uma autorreferência preguiçosa ao olhar para trás com tanta intensidade que esquece de sua originalidade e busca por qualidade no caminho.

Se fosse para definir Pânico 7 de forma simplória, poderíamos ter escrito que é um sobre a decadência de uma franquia que não sabe quando morrer. É um doloroso no legado de Wes Craven e uma prova de que a única coisa assustadora aqui é a possibilidade de uma sequência.

Como a própria franquia nos ensinou, o pior que você pode dizer é“eu volto já”. Por favor, não voltem. Deixe Sidney Prescott viver sua vida monótona na cafeteria. Ela (e nós) merecemos isso.

★★

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