Nemesio “El Mencho” Oseguera Cervantes, considerado o narcotraficante mais poderoso do México na atualidade, morreu no último domingo (22) durante uma operação das forças armadas mexicanas em Tapalpa, no estado de Jalisco. Ex-policial e fundador do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), Oseguera era o principal alvo das autoridades norte-americanas, que o acusavam de orquestrar o envio massivo de fentanil e metanfetamina para os Estados Unidos.
A notícia de sua morte gerou uma onda de protestos em diversas regiões do território mexicano, refletindo a complexa influência do criminoso no país.
A trajetória de “El Mencho” foi marcada pela transição entre a lei e o crime. Após cumprir pena por tráfico de heroína na Califórnia nos anos 90 e atuar como policial em Jalisco, ele ascendeu ao topo do submundo através de uma “estratégia diplomática” ao casar-se com Rosalinda González Valencia, da família líder do cartel Los Cuinis.
Sob seu comando, o CJNG deixou de ser um braço do Cartel de Sinaloa para se tornar uma potência autônoma e brutalmente violenta, conhecida por derrubar helicópteros militares e expandir seus contatos para mais de 40 países.
O Império das Franquias e os Desafios Pós-Mencho
Diferente de cartéis tradicionais com estruturas centralizadas, o CJNG opera como uma rede de franquias, composta por cerca de 90 organizações menores. Segundo analistas de segurança, essa fragmentação sugere que a morte do líder não interromperá imediatamente o fluxo bilionário de drogas.
O cartel controla portos estratégicos e mantém rotas de precursores químicos vindos da China, consolidando-se como peça-chave no tráfico global de substâncias sintéticas.
A pressão exercida pelo governo de Donald Trump para que o México intensificasse o combate aos cartéis culminou na designação do CJNG como organização terrorista pelos EUA em 2025. Embora a eliminação de “El Mencho” represente uma vitória simbólica e operacional para as forças de segurança, o histórico do narcotráfico mexicano indica que novos líderes tendem a surgir para preencher vácuos de poder.
O desafio agora reside em desmembrar uma estrutura empresarial sofisticada que movimenta toneladas de entorpecentes independentemente de uma única figura de comando.
Fonte: O Imparcial




