É bem frustrante assistir a uma série que, ao longo de oito episódios – tempo suficiente para desfilar seus diferenciais – se embola nas suas próprias subtramas e, ainda por cima, apresenta um casal de protagonistas com pouca química em cena. Esse é o caso de 56 Dias, novo seriado do Prime Video, baseado em um romance homônimo da escritora irlandesa Catherine Ryan Howard.
Nessa história, tudo parece mirabolante. Parte de um conto de fadas inusitado, que logo se mostra um pesadelo para os envolvidos. Do amor ao crime, a obra busca arcos secundários que se conectem com o eixo central, mas acaba se perdendo em uma narrativa mal organizada, que somente flerta com o clímax, apostando muitas vezes em um toque picante que pouco acrescenta.
Há pouco tempo em uma nova cidade, o jovem Oliver (Avan Jogia) consegue um emprego na empresa de um amigo de seu pai e vive seus dias entre a casa e o trabalho. A aparente tranquilidade de seu cotidiano muda abruptamente quando conhece Ciara (Dove Cameron) em um mercadinho.

A partir desse encontro, uma paixão fulminante se estabelece mas, segredos dos dois, aos poucos, vão sendo revelados. Ao mesmo tempo que conhecemos os 56 dias dessa história de amor, corre em paralelo uma investigação no presente, onde um corpo foi encontrado em estado avançado de decomposição na banheira de um apartamento.

A trama confunde muito mais do que revela, convidando o público a acreditar que reviravoltas podem salvar qualquer história. De um calcanhar de aquiles – as sequentes soluções improváveis -, chegamos quase a uma perna inteira de problemas destacando-se o uso desordenado de flashbacks e ações no presente, algo que impacta negativamente a experiência de qualquer pessoa que tenta se conectar com essa história.

Os eixos narrativos complementares, principalmente a história da dupla de policiais Lee (Karla Souza) e Karl (Dorian Missick), são entediantes. Buscando questionar responsabilidades em discussões sobre ética e moral na força policial – algo que acaba se distanciando um pouco do discurso central – acompanhamos desenrolares que pouco adicionam à trama principal.

Ao tentar chegar ao clímax de todas as maneiras, a produção se atropela nos contextos que se abrem, como se camadas fossem abertas e não desenvolvidas. O lado psicológico dos personagens, por exemplo – algo que poderia abrir novos olhares para a trama – fica preso a uma relação esquisita entre um psiquiatra malandro e seu cliente, o que culmina em um desfecho com pontas soltas.

56 Dias chegou com seu ar sensual e seus mistérios até o top 10 do Prime Video. Mas, quando olhamos de perto, parece mais um banquete de tensão insosso, ao qual falta bastante tempero!
Fonte: CINEPOP




