Deputados argentinos aprovam reforma trabalhista de Milei

Deputados argentinos aprovam reforma trabalhista de Milei

O parlamento da Argentina aprovou, na madrugada desta sexta-feira (20), a reforma trabalhista proposta pelo presidente Javier Milei, após uma sessão de cerca de dez horas. Foram 135 votos favoráveis ao projeto e 115 contra o texto geral do projeto. Não foram registradas abstenções.

Por conta de alterações, como a eliminação de um artigo sobre licenças mé, a reforma volta ao Senado da Argentina, que já havia a aprovado anteriormente. Os deputados argentinos seguem em sessão, votando trechos do texto em particular.

O argentino celebrou a aprovação em publicação na rede social X, destacando-a como “uma das reformas estruturais prometidas pelo presidente Javier G. Milei e que visa pôr fim a mais de 70 anos de atraso nas relações trabalhistas dos argentinos”.

“A aprovação da lei significa a criação de empregos formais, menos informalidade, normas trabalhistas adaptadas ao século XXI, menos burocracia, maior dinamismo nas relações de e, o mais importante de tudo, o fim da indústria de litígios na República Argentina”, diz o texto.

O governo argumenta que a reforma estimulará investimentos e a criação de empregos formais. Os apoiadores apontam que a legislação atual, datada de 1974, precisa ser modernizada para acompanhar as transformações ocorridas no mundo do trabalho nas últimas cinco .

Segundo eles, o surgimento de novas tecnologias como computação, informática e criou novas profissões e extinguiu outras, tornando necessária uma atualização das leis.

Os defensores da reforma também destacam que a redução de encargos para empresas pode estimular a formalização do trabalho em um país onde 40% dos trabalhadores estão na informalidade.

Já a oposição afirma que o pacote ameaça proteções trabalhistas consolidadas. Entre os principais pontos questionados está a redução das indenizações por demissão, vista como uma perda de direitos adquiridos.

“O presidente escolheu os interesses , produto da má gestão do Estado, em vez de defender os argentinos que votaram nele. A cada cinco ou seis vezes, ele pede ajuda financeira ao FMI [Fundo Monetário Internacional], aos e sabe-se lá mais quem”, ponderou o deputado do União pela Pátria, Máximo Kirchner.

“Essa lei parece ser um novo capricho do FMI ao qual o presidente não pode dizer não, pois o país entrará em colapso. Votar a favor desta lei é votar no fracasso.”

As discussões foram marcadas por protestos e o rescaldo de greves contra as medidas. Ao longo da tarde, manifestantes que se reuniam na Rivadavia, em Buenos Aires, capital do país, tentaram furar um bloqueio formado pela e a Gendarmaria entre a Praça do Congresso e o Palácio Legislativo, além de lançarem coquetéis molotov contra os agentes em frente ao Congresso.

Os protestos foram reprimidos pela polícia com gás lacrimogêneo, balas de borracha e jatos d’água. Segundo o jornal argentino Clarín, 12 pessoas foram presas.

Deputados kirchneristas tentaram barrar o avanço do projeto, mas parlamentares situacionistas buscaram acelerar a votação reduzindo a lista de oradores. Eventualmente, o partido governista La Libertad Avanza cedeu e permitiu que todos os deputados falassem, o que levou as discussões madrugada adentro.

Irmã do presidente e secretária-geral da Presidência da Argentina, Karina Milei acompanhou a sessão no Congresso junto do ministro da , Luis “Toto” Caputo. A dupla foi aplaudida por deputados governistas.

O que faz a reforma trabalhista da Argentina?

O projeto:

  • Flexibiliza regras de contratação;
  • Altera o sistema de férias;
  • Permite a extensão da jornada de trabalho padrão de oito para doze horas;
  • Autoriza pagamento de salários em moeda estrangeira;
  • Introduz novos limites ao direito de greve, estabelecendo requisitos mínimos para a continuidade dos serviços durante paralisações;
  • Simplifica o cálculo da indenização por rescisão contratual, reduzindo os custos para os empregadores ao excluir bônus que não faziam parte do salário regular do trabalhador da fórmula de cálculo.



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