O uso crescente de medicamentos à base de GLP-1 para o tratamento da obesidade e diabetes trouxe à tona o conceito de “agonorexia”, termo informal utilizado nas redes sociais para descrever a redução drástica do apetite causada por esses fármacos. Embora o fenômeno compartilhe a baixa ingestão alimentar com a anorexia nervosa, médicos alertam que as duas condições possuem origens e mecanismos biológicos completamente distintos.
A principal diferença reside no fator psicológico. A anorexia nervosa é um transtorno psiquiátrico estruturado, caracterizado por medo patológico de ganhar peso e distorção da imagem corporal. Já a chamada agonorexia não é um diagnóstico médico oficial, tratando-se de um efeito biológico direto da medicação no organismo.
Os análogos de GLP-1 atuam no hipotálamo e no sistema de recompensa cerebral para regular a saciedade, além de retardar o esvaziamento do estômago.
Riscos e acompanhamento médico
O endocrinologista Renato Zilli, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, esclarece que o objetivo do tratamento é equilibrar os sinais de fome, e não gerar aversão à comida.
O problema surge quando a dosagem não é ajustada gradualmente, levando a uma ingestão calórica perigosamente baixa. Esse cenário pode resultar em perda de massa muscular, fraqueza, queda de cabelo e até sarcopenia — a redução da força e qualidade dos músculos.
Além dos danos físicos, a restrição exagerada pode mascarar carências nutricionais graves, como a queda nos níveis de ferro, vitamina B12 e albumina.
A recomendação dos especialistas é que o uso dessas substâncias seja estritamente monitorado para evitar o “efeito rebote” e garantir que a perda de peso ocorra de forma saudável, preservando a massa magra.
Diferenciação no tratamento
Para a psicologia, o monitoramento é essencial para identificar se o paciente está desenvolvendo comportamentos restritivos tóxicos, como o isolamento social para evitar momentos de alimentação.
Enquanto a anorexia exige intervenção psiquiátrica profunda para tratar a percepção do corpo, a correção da agonorexia geralmente envolve o ajuste da dose medicamentosa e a reorganização da dieta com foco em proteínas e exercícios de força.
O consenso médico reforça que o sucesso das canetas emagrecedoras depende da restauração da regulação fisiológica da fome.
O foco não deve ser comer o mínimo possível, mas sim estabelecer uma relação equilibrada com a alimentação sob supervisão profissional constante.
Fonte: O Imparcial




