O episódio 6 da segunda temporada de Hell’s Paradise não é só mais uma batalha contra os Tensen. É o momento em que o anime decide parar de brincar. Aqui não tem conversa motivacional longa, não tem vilão explicando plano por cinco minutos. Quando a luta começa, ela começa de verdade, e termina deixando todo mundo no chão.
A luta contra Ran
O que mais me chamou atenção foi como o combate contra Ran finalmente recompensa tudo que a temporada vem construindo sobre tao.
Gabimaru começa apanhando porque o match-up é ruim mesmo. Ran é o Tensen mais físico, mais técnico em combate corpo a corpo. Ele não depende só de regeneração absurda. Ele luta como artista marcial. E isso iguala a disputa num nível desconfortável.
Quando Gabimaru finalmente conecta aquele soco depois de entender a manipulação de tao, aquilo é merecido. Dá prazer de assistir. Só que o anime não deixa você curtir por muito tempo.
A segunda forma
Transformação de vilão é recurso velho. Mas aqui funciona porque muda o peso da luta de verdade.
Ran não vira só um monstro maior. Ele mantém técnica. Mantém leitura. Mantém agressividade. A Kishikai dele é brutal porque não abandona inteligência.
E o resultado é simples: derrota. Gabimaru não “quase vence”. Ele perde e perde feio. O anime consegue fazer algo que muitos shounen evitam hoje: mostrar o protagonista totalmente dominado sem parecer forçado.
Ele sangra. Ele falha. Ele fica sem saída. A sensação não é “agora ele desperta algo”. É “não tem como sair disso”.
Yuzuriha: o episódio que cala quem reduz ela a fanservice
Sim, a direção exagerou nos enquadramentos. A pose em cima da perna do Gabimaru é quase uma piada. A câmera sabe exatamente o que está fazendo.
Mas olhar só pra isso é ignorar o ponto principal. Yuzuriha passou a primeira temporada inteira vendendo a ideia de que a própria vida vem primeiro. Sobrevivência acima de tudo. E aqui, quando o caos chega, ela não foge.
Ela coordena com Gabimaru. Ela espera o momento certo. Ela entra no ataque sabendo que pode morrer. E no fim ainda tenta tirar ele dali.
O contraste com os flashbacks deixa isso claro. Eles falam que a própria vida é prioridade. Mas nenhum dos dois consegue agir assim quando o outro está em risco.
Gabimaru continua sendo um protagonista diferente
Tem uma coisa que eu gosto muito em Hell’s Paradise: Gabimaru não quer vencer pra provar nada. Ele quer sobreviver pra voltar pra esposa. Só isso.
Esse episódio reforça isso sem precisar repetir o discurso o tempo inteiro. Quando ele reconhece mentalmente quem já morreu na ilha e usa isso como combustível, não é heroísmo é peso acumulado.
Ele não vira “o escolhido”. Ele vira alguém que se recusa a cair porque ainda tem algo esperando por ele. E isso é muito mais interessante do que protagonista que luta por ego.
O resto do tabuleiro está pronto para explodir
Enquanto Gabimaru e Yuzuriha enfrentam Ran, o episódio planta ganchos fortes. Shion e Nurugai contra o Tensen que matou Tenza.
Do outro lado, a situação de Touma e Chobei adiciona tensão psicológica de verdade. Não é só força contra força. É lealdade. É sobrevivência. É interesse pessoal.
E a divisão dos grupos deixa claro: talvez eles não vençam lutando separados.
O único ponto que divide
Se tem algo que pode afastar parte do público, é o sistema de tao ficando cada vez mais técnico. Compressão, polaridade, absorção, é interessante, mas exige atenção.
Não me incomoda porque a base já foi plantada na primeira temporada. Mas dá pra entender quem sente que o conceito está ficando denso demais.
Ainda assim, no episódio 6 ele é usado como ferramenta narrativa, não como desculpa milagrosa. Isso já é uma vitória.
A grande força do episódio é essa: mesmo sabendo que a história continua, você não enxerga a saída imediatamente.
Nota: 5/5.
Hell’s Paradise está disponível no Crunchyroll.
Fonte: CINEPOP




