O aplicativo de mensagens WhatsApp, pertencente à Meta Platforms (META.O), acusou nesta quinta-feira (12) as autoridades russas de tentarem bloquear completamente seu serviço para forçar os russos a usar um aplicativo estatal, que, segundo a empresa, é utilizado para vigilância.
“Tentar isolar mais de 100 milhões de usuários de uma comunicação privada e segura é um retrocesso e só pode levar a menos segurança para as pessoas na Rússia“, afirmou o WhatsApp em comunicado. “Continuamos fazendo todo o possível para manter nossos usuários conectados.”
Nesta quinta-feira, alguns nomes de domínio associados ao aplicativo desapareceram do registro nacional de nomes de domínio da Rússia, o que significa que dispositivos dentro da Rússia deixaram de receber seus endereços IP do aplicativo e que o acesso a ele só era possível por meio de uma rede privada virtual (VPN).
A Roskomnadzor, agência reguladora estatal de comunicações, e o Kremlin não responderam imediatamente a um pedido de comentário.
Restrições ao Whatsapp
A Roskomnadzor começou a restringir o WhatsApp e outros serviços de mensagens em agosto, impossibilitando a realização de chamadas telefônicas por meio deles, acusando as plataformas estrangeiras de não compartilharem informações com as autoridades policiais em casos de fraude e terrorismo.
Em dezembro, a agência reguladora anunciou novas medidas para
restringir gradualmente o aplicativo, acusando-o de continuar violando a lei russa e de ser uma plataforma usada “para organizar e executar atos terroristas em território nacional, recrutar seus autores e cometer fraudes e outros crimes”.
Desde então, muitos russos só conseguem usar o WhatsApp em conjunto com uma rede privada virtual (VPN) e passaram a usar aplicativos de mensagens concorrentes, embora alguns deles — como o Telegram — também estejam sob pressão das autoridades pelos mesmos motivos.
Em um vídeo divulgado pela agência de notícias estatal TASS na quarta-feira, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que existe a possibilidade de um acordo caso a Meta inicie um diálogo com as autoridades russas e cumpra a lei.
“Se a empresa (Meta) mantiver uma posição intransigente e, eu diria, se mostrar indisposta a se adequar à legislação russa, então não há chance”, disse Peskov.
As autoridades russas, que também bloqueiam ou restringem plataformas de redes sociais como Snapchat, Facebook, Instagram e YouTube, estão promovendo fortemente um aplicativo de mensagens estatal chamado MAX, que, segundo críticos, pode ser usado para rastrear usuários.
As autoridades rejeitaram essas acusações como falsas e afirmam que o MAX, que integra diversos serviços governamentais, foi projetado para simplificar e melhorar o dia a dia dos cidadãos.




