Em um pronunciamento duro e detalhado na Câmara Municipal de São Luís, o vereador Jhonatan Soares, do Coletivo Nós (PT), afirmou que o sistema de transporte público da capital entrou em colapso e alertou para o risco concreto de uma nova paralisação já nesta quarta-feira (11). Segundo o parlamentar, a crise não é pontual nem recente, mas resultado de falhas estruturais acumuladas ao longo da atual gestão municipal, que afetam diretamente cerca de 700 mil usuários do transporte coletivo.
Ao ocupar a tribuna, Jhonatan Soares destacou a gravidade da audiência de convocação da nova secretária da Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte (SMTT), ex-presidente do Ipam, aprovada por unanimidade na semana anterior. Também foram convocados a procuradora-geral do município e o controlador-geral, para prestarem esclarecimentos em sessão marcada para a segunda-feira (9), às 14h. De acordo com o vereador, a convocação reflete a dimensão da crise.
O co-vereador ressaltou que o atual cenário desmonta o argumento de que as paralisações seriam motivadas por disputas eleitorais. Ele lembrou que, em 2025, ano sem eleições, São Luís enfrentou três greves do transporte público, registradas em janeiro, fevereiro e dezembro. “Não era ano político e, mesmo assim, tivemos três paralisações. Isso demonstra que o problema é estrutural e permanente”, pontuou.
Segundo Jhonatan, a resposta da Prefeitura à primeira paralisação daquele ano foi o envio à Câmara do projeto que criou o programa de vouchers para uso dos aplicativos 99 e Uber, medida que ficou conhecida como “UberBraide”. A proposta tinha como objetivo garantir deslocamento à população enquanto durasse a greve dos rodoviários.
No entanto, o parlamentar criticou a repetição da estratégia sem a solução definitiva do problema. “As crises são sistêmicas e as greves recorrentes. Desde 2021, quando essa gestão começou, já foram mais de dez paralisações. É quase uma por ano, às vezes duas”, afirmou.
O discurso também destacou falhas graves na condução da SMTT. O vereador citou relatório oficial da Controladoria-Geral do Município que aponta incapacidade operacional do órgão para gerir o sistema de transporte da capital. Entre os problemas elencados estão a falta de pessoal técnico, a dificuldade para fiscalizar tarifas sociais e a incapacidade de administrar os terminais de integração.
“Quem disse que a SMTT não consegue gerir o sistema não fui eu, não foi vereador, não foi jornalista, não foi o Ministério Público. Foi a própria Controladoria do Município, um órgão da Prefeitura de São Luís”, enfatizou, ao afirmar que o relatório recomenda, inclusive, a contratação de uma consultoria especializada.
Ao aprofundar a crítica, Jhonatan Soares lembrou as constantes trocas no comando da SMTT desde o primeiro mandato do prefeito Eduardo Braide. Ele citou nomes que passaram pela pasta e destacou que, na atual gestão, Maurício Itapary teria assumido a secretaria com o objetivo de criar as condições necessárias para decretar a caducidade do sistema e viabilizar uma nova licitação. “Segundo a lei, para fazer uma nova licitação, o prefeito precisava decretar a caducidade. Um ano depois, isso não aconteceu e o secretário foi exonerado”, afirmou.
O parlamentar também trouxe à tona a recomendação de um ministro do Supremo Tribunal Federal para que o prefeito não utilizasse recursos do subsídio do transporte público para o pagamento de vouchers de aplicativos. Ainda assim, segundo Jhonatan, quase R$ 10 milhões teriam sido gastos em apenas dez dias de greve.
“Quem controla isso? Quem comprova essas viagens? Quem são as pessoas que usaram esses vouchers? Estamos falando de dinheiro público”, questionou.
Para o co-vereador, o valor seria suficiente para investimentos estruturantes, como a implantação de modais alternativos de transporte, a exemplo de ciclovias e sistemas de bicicletas públicas, já adotados em outras capitais brasileiras.
No encerramento do pronunciamento, Jhonatan Soares fez um apelo direto aos demais vereadores. Ele afirmou que a Câmara Municipal precisa assumir seu papel institucional diante da crise.
“Nossa tarefa é defender os 700 mil ludovicenses que dependem do transporte público. Não se trata de atacar o Executivo, mas de preservar a credibilidade desta Casa”, concluiu, conclamando a Mesa Diretora a agir para que o Legislativo não seja desmoralizado diante da população.
Fonte: O Imparcial




