Em entrevista exclusiva ao TMDQA, o baixista do Symphony X, Michael LePond, falou sobre a atual turnê de 30 anos da banda, a forte relação com o Brasil e revelou que o novo álbum, prometido para 2026, ficou pelo caminho.
O grupo retorna ao país em março para celebrar três décadas de uma das carreiras mais respeitadas do metal progressivo mundial, passando por Curitiba (19/03, Tork n’ Roll), São Paulo (20/03, Tokio Marine Hall) e Rio de Janeiro (21/03, Sacadura 154), com ingressos pela Ticketmaster. Antes, a turnê também inclui datas no México, Chile e Argentina.
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Apesar da notícia, o clima não é de frustração. Segundo LePond, o material inédito, o primeiro em onze anos sem nenhum lançamento após Underworld (2015), está avançado e soa “incrível”, ainda que precise de mais tempo para ficar pronto. “Estamos fazendo um progresso enorme no novo álbum. Quando todo mundo ouvir, vai valer a espera”, conta.
O baixista fez questão de ressaltar que o próximo álbum, ainda sem nome, dialoga com todas as fases da banda, um ponto sensível para fãs mais antigos. “Não importa de qual era do Symphony X você goste, existe algo nesse novo material que vai agradar. Estou realmente empolgado com as músicas”.
Ao comentar a percepção de que o Symphony X se tornou uma banda cada vez mais pesada ao longo dos anos, LePond tratou o tema como um caminho natural. “Com cada álbum, a gente acaba modificando um pouco o som. Não é algo planejado. Simplesmente acontece com o passar dos anos, compondo, crescendo e experimentando coisas novas”.
Enquanto o novo disco não chega, a banda aposta na estrada, especialmente no Brasil, país com o qual mantém uma relação antiga e intensa desde a primeira visita em 2000. “Nós temos um caso de amor! Os fãs da América do Sul são os melhores do mundo”, diz o baixista. “Existe uma paixão e uma energia no palco que a gente sente imediatamente, eles entregam tudo, e a gente devolve na mesma intensidade”.
A turnê de 30 anos traz outro desafio: montar um repertório capaz de representar toda a carreira do Symphony X. LePond admite que a escolha do setlist não é simples, mas garante que os fãs serão contemplados. “Queremos incluir músicas que as pessoas pedem há muitos anos. É uma decisão difícil, mas teremos canções realmente especiais. Acho que todo mundo vai ficar feliz”.
A demora entre os álbuns, explica, não é falta de inspiração, mas uma escolha consciente. O Symphony X nunca conciliou turnês longas com gravações em estúdio. “Gostamos de fazer uma coisa por vez: ou gravamos, ou excursionamos.” A pandemia e uma década marcada por estrada constante também contribuíram para o intervalo maior entre os lançamentos.
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Virtuosismo sem elitismo
Ao longo dessas três décadas, o Symphony X conseguiu algo raro: transformar uma música que tinha tudo para ser elitista, técnica demais ou inalcançável em algo acessível, envolvente e profundamente querido pelos fãs.
Com músicos virtuosos, e destaque absoluto para o guitarrista Michael Romeo, que tira o sono de qualquer estudante do instrumento, e o potente e equilibrado vocalista Russel Allen, a banda construiu um balanço pouco comum entre complexidade, peso e emoção.
É justamente esse equilíbrio que faz com que o Symphony X transite com naturalidade entre o metal progressivo e o power metal, sem perder identidade ou conexão com o público.
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Crítica, rótulos e percepção nos EUA
Perguntado se sente que, nos Estados Unidos, uma ala da crítica subestima o metal que o Symphony X faz — ou o power metal de forma geral, como muitas vezes acontece no Brasil que insiste no termo “metal espadinha”— LePond foi direto e disso não sentir isso no país de origem.
Jazz, disciplina e formação musical
Antes de se tornar um dos baixistas mais técnicos do metal progressivo, Michael LePond iniciou sua formação musical no jazz. Aos 14 anos, teve aulas com um professor do gênero — experiência que ele considera fundamental até hoje. “Ele me ensinou a ler música e a pensar o instrumento de outra forma. Também me apresentou a grandes baixistas de jazz”.
Com a descoberta do heavy metal, o jazz ficou em segundo plano, mas nunca foi abandonado de vez. “Agora, mais velho, voltei a ouvir jazz e consigo apreciar muito mais esses músicos. Dá para perceber claramente que os músicos de jazz estão entre os melhores do mundo”. Essa base ajuda a explicar a precisão e a segurança do baixo no Symphony X, mesmo em composições longas e cheias de variações rítmicas.
Ídolos, perdas e legado
Em um momento mais pessoal, LePond refletiu sobre a perda de ídolos que moldaram sua geração como Ace Frehley e Ozzy Osbourne. “Você vê essas pessoas como eternas. Nunca imagina que um dia elas não estarão mais aqui”, diz. “Quando eles se vão, parece que uma parte de mim vai junto. Mas enquanto a música deles existir, eles viverão para sempre”.
Ao falar sobre a cena brasileira, LePond foi direto ao citar dois nomes fundamentais. “Quando penso em metal brasileiro, penso imediatamente em Angra, uma banda que eu amo! Sou amigo do Felipe Andreoli, o baixista — e, claro, em Sepultura”.
Mais do que elogios, o músico deixou clara sua admiração pelo nível técnico dos artistas do país e lamentou a pouca visibilidade internacional. “Existem músicos incríveis no Brasil. Sempre que artistas dos Estados Unidos ou da Europa vão tocar aí, acabam se conectando com músicos brasileiros, e esses caras são impressionantes”.
Para ele, falta exposição. “Eu gostaria que os Estados Unidos conhecessem mais bandas brasileiras. Existe um talento absurdo aí, e o mundo precisa ouvir isso”.
Michael LePond responde a pergunta clássica do TMDQA: quais são os cinco discos que moldaram o heavy metal na sua opinião. Confira:
KISS – Alive II
“Quando você é garoto, o KISS parece super-herói, tipo Batman e Superman. Foi aí que tudo começou para mim.”
Iron Maiden – The Number of the Beast
“Me fez prestar atenção no Steve Harris. Eles estavam muito à frente de todo mundo.”
Metallica – Kill ‘Em All
“Quando ouvimos isso em 1983, parecia que um novo tipo de heavy metal estava sendo inventado”.
Black Sabbath – Heaven and Hell
“Talvez seja o melhor álbum de heavy metal de todos os tempos para mim. Geezer Butler é inacreditável”.
Judas Priest – Screaming for Vengeance
“Metal clássico do começo ao fim. Foi a música que eu quis tocar e a estética que eu quis levar ao palco.”
Enquanto o novo álbum segue em gestação, o Symphony X reafirma sua força onde sempre foi imbatível: no palco. Em março, o Brasil volta a fazer parte dessa história — celebrando o passado, vivendo o presente e aguardando, com paciência, um disco que promete dialogar com todas as eras da banda.
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